Cada minuscula célula do nosso corpo também sonha. Ou sozinhas , ou coletivamente.

Principalmente se você for mulher.

 

Era uma visão de se encher os olhos até mesmo dos mais adeptos de vergalhões, cimento e vidraças. Um lago caudaloso e calmo , abastecido pelas inúmeras cachoeiras ao seu redor. Delicadas como fios de prata, mas suficientes para sua função. No centro uma ilha de rochas e pedras e muito musgo, trepadeiras e pequenas árvores.

Havia um único caminho para a ilha, já que ela não possuia margens amigáveis. Uma ponte construída de maneira peculiar , dentro da água. Além da passarela propriamente dita, a ponte contava com laterais também de madeira, bem firmes e calafetadas.
Talvez tivesse sido construída assim para que quem a visse de longe, imaginasse que a ilhota estivesse totalmente isolada.

Em uma das pontas dessa ponte, Edgar  estava se preparando para sua tarefa diária. Montava um cavalo branco, e ia calmamente em direção ao imenso Buda que ficava na outra margem, já dentro da Ilha.
Ao alcança-la libertou sua montaria , e ela seguiu instintivamente para cima de uma rocha lisa que servia de caminho para uma das cachoeiras menores, onde todos os dias aproveitava da grama que ali sempre estava fresca.
Seguiu o exemplo da égua, e sumiu no meio das plantas mas em lado oposto. Após 15 minutos alternados entre escaladas e caminhadas, avistou o objetivo de sua missão.
Debaixo da queda d’agua de uma cachoeira um pouco maior, uma espécie de altar de mármore com três peças que pareciam ser feitas de ouro. Cada uma repousada em  sua própria coluna Tinham um  brilho pŕoprio como o da lava derretida, eram ricamente adornadas, e pulsavam aos olhos: um esqueleto de um tipo de andor, um aparador de livros e um cálice.
Observando  que estava tudo em ordem, Edgar deu mais uma olhada em volta e seguiu de volta seu caminho, pensando e agradecendo aos deuses pela calmaria. Já que a pouco tempo atrás, seria impossível deixar aqueles objetos assim sendo apenas guardado pelas águas.

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