Pode passar todo o tempo do mundo e você ainda vai continuar procurando a pessoa certa se não parar e olhar em volta. Porque simplesmente não buscar um novo amor? Ou simplesmente esperar sozinho, revendo seus sonhos e objetivos e os alimentando com a lenha da paciência? Eu esperei, e aprendi que ficar sozinho era bom, enxerguei os ventos do verão vindo ao longe, pude sentar e esperar pelo calor do sol a queimar minhas costas, e simplesmente pude desistir do passado e tocar para frente confiando sempre na bondade dos novos tempos que viriam.

Eu esperei, e esperei, acho que foi quando eu comecei a trabalhar numa gráfica que eu a conheci, ela era afilhada do meu patrão, e eu era um dedicado e entediado funcionário de gráfica, sempre que ela estava por ali eu conversava com ela, ela era sorridente e tinha um jeito simples de ser, mas meu chefe sempre repetia “essa daí não é para o seu bico”, e não era mesmo, ela era linda, sorridente e tímida, ria das minhas piadas sem graças o que era importante, tinha um metro e cinquenta e três, um cabelo castanho que ia para baixo da linha dos seus ombros e olhos negro, profundos como poucos que eu conheci.

A gente ficou, foi algo rápido, numa festa quando eu estava indo embora, eu estava bêbado, ela também, a gente falou besteiras, e prometemos nos ver. Eu fui embora, fui fazer faculdade, e não sei por que me afastei dela, vinha nas férias, não conversamos, não nos víamos, parece que tudo tinha terminado ali, mais uma história de amor terminada no primeiro ato.

Terminei o curso no interior de São Paulo e fui morar na capital, virei professor, e mais tarde coordenador pedagógico de um colégio que ia desde o Primário até o Ensino Médio, foi quando apareceu um garoto, devia ter o que uns treze anos, seu problema era que não conseguia conviver com os colegas, e tinha várias tendências agressivas, peguei o telefone e liguei para o telefone em sua ficha, dentro de quinze ou vinte minutos uma mulher bonita estava diante de mim, conversei com ela sem me tocar, quando íamos se dependido pude ouvir com certo susto:

– Você mudou Ronaldo.

Minha cara de espanto não podia ser maior, surgiu em minha mente uma biblioteca gigante de nome de pessoas de quem deveria me lembrar, mas não me veio, tentei adivinhar mas por fim desisti, e perguntei:

– A gente se conhece?

Ela sorriu, e quando vi o seu sorriso eu tive certa duvida se eu realmente não sabia, ela estava linda, o mesmo sorriso, o mesmo cabelo castanho agora menos tímida,  mas com um triste olhar, seus olhos antes cheios de vida estavam cheios de olheiras, e estavam um pouco mais magra, permanecia linda, mas em si trazia uma certa melancolia, que eu não entendia.

– Sou eu, a Mariana eu era afilhada do Dono da Gráfica onde você trabalhou.

Fiquei com cara de besta pensando, em como a gente tinha se despedido, ela agora tinha um filho, devia ser casada, olhei o numero na lista, e liguei novamente, a convidei para sair ela aceitou, usei seu filho como proposta, mas quando cheguei lá estraguei tudo, acho que ainda posso lembrar em seus olhos a tristeza de ver minhas intenções, eu queria saber sobre ela, daquela conversa lembro poucas palavras talvez só a parte final de uma frase, mas que me marcou.

– Eu sou casada Ronaldo, tenho um filho, me esqueça.

Mesmo assim eu a beijei, e seguimos até o final, e nos amamos, e vivemos apenas sentindo o que deveríamos ter sentido antes, fizemos tudo que não devíamos e magoamos outro coração, mas a vontade era tanta, por um único momento eu a tive totalmente. Conversamos tudo que nunca tínhamos conversados, falamos sobre os problemas delas, como ela tinha vindo parar ali, como destino era estranho, até que em algum momento ela notou que ela tinha um filho, era casada, e eu lembrei que eu deveria esquecê-la.

Era anunciado o fim, nos despedimos com um ultimo beijo, e eu e ela em pecado marchamos cada qual para seu carro, cada qual para seu lado, o jantar tinha ficado no nosso passado, e eu mais tarde encontrei a minha garota, se hoje me perguntassem, se eu queria a ter tirado e roubado para mim, eu responderia não, mas não me arrependo, eu precisava concluir o que havia começado, e precisávamos matar essa chama em nós, um amor não pode ser interrompido pela metade, ele precisava arder até se queimar.

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