Ultimo cigarro do maço, e eu mais uma vez tentando descobrir os mistérios de uma pessoa que eu nem conheço direito, como assim você deve pensar? Mas é um velho defeito meu, um traço da minha personalidade carente que eu talvez nunca consegui remediar. Pois bem eu olhava aques olhos verde cor de casca de goiaba e tentava dar conselhos apenas com gestos, eu a queria bem, afinal ela estava do meu lado sempre sorrindo.

Um sorriso não precisa ser perfeito, sabe? Sorrisos tem que ser sorrisos podem ter os dentes tortos ou um jeito  timido, mas eles sempre iram te ajudar quando as coisas não forem como o planejado, assim eu estava lá, sem resolver os problemas, mas estava lá, também sorrindo, sorrisos de monstro eu diria, mas de um monstro bem intecionado.

Estavamos em um lugar cheio de gente, cheia de sonhos, e cheia também de decepções e pouco a pouco eu percebia saber menos das pessoas, puxamos um papo sobre o que gostavamos afinal era isso que unia nosso grupo, aquilo que gostavamos, e isso nos fazia diferente. Não tentavamos apelar para o lado fisico ou roubar dos outros os sonhos que eles tinham, nem ao menos existia uma competição em um se elencar sobre o outro, onde um apresentasse dificuldades o outro procuraria a solução era simples.

Mas tudo muda um dia, e um dia tudo mudou, pouco a pouco percebemos que um excelente ano chegaria ao fim, mas eu ainda reparava que faltava falar algumas coisas, por isso estava ali diante de olhos verdes, que sempre mereciam uma palavra a mais, de conforto, carinho ou atenção.

Afinal o que é a amizade se não um amontoado de experiências trocadas, ou um monte de informação circulando de maneira muito rápida para se processar, pessoas se magoando a galope, não no sentido ruim da palavra, mas uns marcando os outros de maneira plena e duradoura, deixando em si uma espécie de tatuagem não escolhida. As vezes um corte mais fundo jorrava sangue e ardia, os animos se esquentavam , afinal, quem gosta de ver a si mesmo ser flagelado? As vezes as coisas fluiam, um pedido de desculpa rolava, para logo depois mais uma vez idealismos baratos, e verdades não ditas se cruzarem em uma guerra de espada e escudo sem fim, divertida e respeitosa.

Temo que tudo tenha chegado ao fim sem que eu tenha dito uma palavra do meu verdadeiro eu, daquele que admira a todos e lá no fundo sempre encontra algo para falar, por isso eu decidi nesta noite diante dessa lua tão trapaceira, dizer a ela aquilo que eu esperava concretizar, tentei, a voz meio embargada foi saindo, e enquanto uma mão jogava a bituca de cigarro longe, a outra já se avançava para um abraço, enquanto os lábios idiotas que tantas vezes tinham ditos besteiras inimagináveis diziam:

– Obrigado, por em momentos em que nem mesmo eu percebia, ter me dado toda a ajuda que podia.

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