Um mês. Um mês foi o tempo que eu fiquei sem postar aqui. E ninguém pediu post novo. Como a estratégia Jânio Quadros não deu certo, vou voltar com overdose pra vocês. Ah, o Lucas vai voltar também. No fim do post, explicações.

Ninguém liga.

Ninguém liga, mesmo.

Vou deixar uma musiquinha pra vocês ouvirem enquanto leem o resto desse calhamaço.

 

– Eu vi o filme do Bátima. (Sem spoilers)

Não é segredo pra ninguém que eu sou fã do Batman. Mesmo do seriado maluco com o Adam West carregando bombas por aí, que rendeu a excelente redublagem brasileira Feira da Fruta. Sou viciado no Cavaleiro das Trevas. Mas também nunca escondi que acho que o personagem rende muito mais como um personagem sombrio, depressivo, reacionário. Todas as grandes obras do personagem nos quadrinhos são nessa temática. Seja no Cavaleiro das Trevas do Miller, seja em O Longo Dia das Bruxas. O Batman é um cara que perdeu os pais e viu no dinheiro que tinha uma chance de limpar do mundo o mal que os tinha tirado dele. Simples assim.

No cinema, nós vimos, até o dia de hoje, 3 Batmans distintos. O primeiro, com o Tim Burton, era um personagem de estética e filosofia Gótica. Ele era a bizarrice e seus inimigos também. E ele usava essa bizarrice para enfrentá-los. Muito bom, mas ainda não bate com o melhor Batman dos Quadrinhos.  O segundo, com o Joel Schumacher. O problema do Schumacher foi ter levado o Batman como se o próprio personagem não se levasse a sério. Não dá certo. Foi o que o Batman do Adam West tinha feito, mas eram outros tempos. Um tempo de inocência na TV. Hoje em dia, não acreditamos mais em super-heróis que tem inimigos que só querem roubar uma obra de arte. Se é que vocês me entendem.

Aó, veio o Nolan. E fez Batman Begins. E criticaram a atuação do Christian Bale como o Cruzado de Capa. Então, ele fez Batman: Dark Knight. E todo mundo criticou o fato daquele Coringa incrível estar só no segundo filme. E agora, temos Batman: Dark Knight Rises. E tem muita gente criticando coisas que eu simplesmente não entendo como podem ser vistas como ruins. Vamos aos fatos.

Nesse ano de 2012, vi os dois primeiros filmes que conseguiram ter uma história de revista em quadrinhos e funcionar no cinema. Antes, outros filmes, como o último da trilogia X-Men, haviam tentando uma história mais como a dos quadrinhos, sem grande sucesso de crítica, embora com grande sucesso comercial. Aí, tivemos Vingadores. Nos quadrinhos, não temos grandes explicações dos comos. As coisas acontecem porque assim devem acontecer para que a história siga o rumo que o roteirista planejou. Vingadores é bem assim. Depois, tivemos Homem-Aranha. Mesmíssima coisa, mas tentando misturar com o clima “sombrio” do Batman, o que não deu certo.

Aí, veio o Nolan, e fez algo parecido. Ele colocou o Batman numa história sem grande explicação de comos. Como o Wayne volta pra Gotham? Como a Mulher-Gato muda de opinião sobre as coisas. Como infernos uma criança e um cara recém-recuperado de ter as costas quebradas conseguiram fazer o que centenas de brutamontes não conseguiram? A resposta é bem simples: Não importa.

Sério, muita gente acha que existe um limite para a “suspensão de descrença”. Essa tal suspensão seria ignorar certas coisas que seriam descabidas no mundo real para aceitar a história que se está acompanhando como real. Eu não acredito que exista um limite para isso. Se a história for extremamente descabida, mas excelente, eu a acompanho DO MESMO JEITO. A questão é que eu sou um grande fã de anime/manga, uma linguagem onde coisas descabidas acontecem o tempo todo. E tem histórias incríveis.

Há reclamações também da diminuição do papel do Bane no final do filme. Não acho que serviu dessa maneira, mas como um aumento da revelação a ser feita. Não tira o mérito do que o vilão tinha feito antes.

Pra terminar: foda-se que tem um personagem chamado Robin. É liberdade poética. Provavelmente o Nolan sabe melhor do que a gente que o Robin não tem esse nome.

– Trilogias de três.

Agora, concordo com quem fala que o segundo filme da trilogia do Nolan foi o melhor. Assim como afirmo que o segundo filme da trilogia Star Wars (a única que existe pra mim… aquela antiga) é melhor. É normal para trilogias que haja uma queda de qualidade no último filme. Eu conheço duas exceções, e a melhor trilogia de TODAS, O Poderoso Chefão, não é uma delas.

A questão é: curva dramática é uma coisa complicada. A vontade de fazer um a segunda parte épica é muito grande, e a pressão do seu editor/produtor/estúdio para isso é enorme. E quando se sobe muito no segundo passo, a chance de você conseguir subir proporcionalmente para o terceiro é pequena. Tolkien fez isso com os livros da série O Senhor dos Anéis, mas, sinceramente, nenhum editor moderno publicaria os livros imaginando o sucesso que tiveram. O outro exemplo é a trilogia do Homem Sem Nome, do Sergio Leone, mas foi uma questão de irem aumentando a verba e a confiança nele a cada sucesso, então é diferente.

– Urasawa, o gênio.

Os japoneses já sabem, a muito tempo, que quadrinhos não são coisa só de criança. Assim sendo, há muita plataforma para a realização de grandes obras, como revistas mensais especializadas em publicar seriadamente histórias para jovens adultos. E um dos maiores autores do gênero é Naoki Urasawa.

Urasawa começou a ganhar destaque na década de noventa, com uma obra chamada Monster. É a história de um cirurgião japonês que decide, contra a ordem de seu chefe e sogro, operar um garotinho, ao invés de o fazer com o prefeito da cidade. Anos depois, o garoto volta a entrar na vida dele, revelando ser um assassino. Ele passa a perseguir o mistério ao redor do sujeito que salvou, descobrindo a coisa se estende por toda uma “conspiração”.

A obra seguinte, até hoje marcada como sua obra prima, é 20th Century Boys. Um grupo de adultos tem que lidar com a semelhança do trabalho de um grupo conspiratório e as idéias que, quando crianças, eles imaginaram como o trabalho de um grupo malvado que seria combatido por eles para o bem da humanidade. Eles tem, então, que assumir a posição de heróis em que se imaginaram durante sua brincadeira de criança.

Com essas duas obras como cartão de visita, e mais Pluto (uma homenagem ao Astroboy de Osama Tezuka, considerado o grande gênio do mangá) e Billy the Bat (uma história sobre influencias no subconsciente), Urasawa foi destaque internacional, sendo reverenciado nos EUA com prêmios. Seu 20th Century Boys foi considerado por muitos críticos a melhor série regular desde Sandman.

– Sobre o Eeek.

Voltamos, em definitivo. Mas agora, com menos carga. Se antes tinhamos obrigações em postar, agora não teremos mais isso. Vamos nos esforçar, sim, para trazer 3 posts cada um (eu e o Lucas) por semana para vocês. Sempre, claro, trazendo histórias de nossa autoria. Mas vamos deixar a coisa mais solta. Não vamos nos obrigar a escrever sobre cinema se não sentirmos a necessidade. Isso se deve em muito devido a mudanças de caráter pessoal. Decidimos, assim, priorizar manter a qualidade ao invés da quantidade. Espero que vocês concordem com nossa decisão.

Se não concordarem, a internet é um país livre para vocês lerem outro blog. (Brincadeira, voltem sempre.)

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