Ele estava ali, e ali também estavam todos seus desafetos, a reunião das três era conhecida como a única oportunidade onde poderia se ver Corretores empregados e Corretores livres juntos, os empregados vinham para ser o ouvido de seus patrões para que esses pudessem entender as situações e se posicionar diante de seus inimigos, ou até mesmo poder responder as decisões tomadas por seus amigos. Ele era o mais próximo da entrada, por coincidência a borda mas próxima da rua era a preferida dos corretores livres enquanto os empregados preferiam os centros, seus cabelos e barba ruiva, explicavam o porque de seu apelido, O Barrete Vermelho era velho entre o seus, e um dos poucos que conseguia combinar uma vida humana normal, com a vida de mercenário ao qual os Corretores Livres se dedicavam, mas o seu trabalho com a “burrocracia” humana, o fazia entender cada vez mais sobre a Sagrada Ordem dos Burocratas, estava ali a anos, quando chegou no Brasil vindo da Irlanda, por volta do ano de 1970 conseguiu rapidamente o trabalho de auxilair de tabelião, e foi exatamente esta experiência que o levaria a se especializar na fraude dos mais diversos documentos, isto e sua habilidade natural de auterar vitalidade e idade através dos seus poderes de cura, o faziam se misturar facilmente entre os humanos, seu código era baixo, mas ali naquela sala existiam homens com códigos tão baixos quantos os dele.

Entre eles não se chamavam por nomes, porque a maioria não vivia mais que vinte anos sobre um mesmo nome, e apenas alguns recebiam apelidos, e quase sempre as alcunhas não eram de elogios ou feitos e sim escárnio dado aos Corretores Livres, que em sua maioria não era chamada por seu código. O nome atual dele era Pedro, em homenagem a um grande amigo seu, no mundo inteiro seu numero era o 55, e o seu código companheiro presente, em um antigo mosquete era o 1500 dos que transcederam para a arma, mas seu poder era grandemente notável, ali se encontravam homens com códigos altos e códigos baixos, mas até mesmo entre os códigos novos, a maioria não dominando os dons da cura ou vitalidade, existiam aqueles a serem temidos.

Ele tomava uma cerveja, e ninguém ousava sentar em sua mesa, mas um velho conhecido o encontrou, era um código alto, e não era dos fortes, ou dos que mereciam ser temidos, mas como sempre aquele tipo de código servia como isca aos que realmente o queriam irritar, ele chegou até a sua mesa, e depois de cuspir na sua cerveja com um tom zombeteiro disse:

    • Saia daqui, este aqui não é seu lugar, esta é a Area do Zarl.

O nome do tal de Zarl era uma pessoa altamente ridícula, seu nome verdadeiro era Maikon, um garoto ainda se comparado ele, tinha um grande dom e isso era claro pelos homens a quem ele tinha derrotado antes de se autodenominar Zarl, incluindo o Kammeeth um dos grandes apostadores de palavras, mas um velho senhor descuidado, mas ele já tinha passado dos limites com essa sua estupida demarcação de area, respirou fundo não queria briga, até porque ele talvez tenha sido um dos poucos ali a cumprir as velhas leis, saiu, chegou até o seu carro, abriu a porta da PickUP e colocou uma música para tocar enquanto acendia um cigarro.

“Estava parado, bebendo cerveja, sozinho na porta do bar
Mas como nada é perfeito, to vendo um sujeito que vem reclamar
Dizendo que a vaga em que eu tinha parado meu carro era particular,
Tinha um tal que é dono da rua, e fica na sua que o cara já ta vindo aqui,
Te matar…”

O mesmo cara veio até ele, com o mesmo sorriso zombeteiro como se tirasse sarro da sua cara, o tom da música se tornou mais claro, e logo ele pode perceber que estava cercado por aqueles senhores, entre os códigos que seguiam Zarl, existiam código mais baixos que ele, que o admiravam por seus feitos ou o temiam, pensou por um momento como ele iria conseguir distinguir entre aqueles que realmente seguiam fervorosamente Zarl e aqueles que precisavam apenas de um susto para se afastar dele, pois afinal ele era o mentor de Zarl, havia o treinado a pedido de…

Isto não era hora de pensar nisto, puxou Carlos para se desviar do ataque de uma espada, e de chicotadas de correntes de ambos os lados, carlos era o nome da sua chave de roda, pois este era o nome do código que havia antes passado pela terra, sua rápidez com a arma era impressionante mas não pode se esquivar do grande bastardo, o grande bastardo era como Zarl chamava seu porrete, um código baixo que era na verdade o segredo da força de Zarl, foi quando o Barrete sorriu, como há muito tempo não sorria:

    • Impressionante como eu nunca faço nada, é sempre a confusão que vem até aqui, falo isso para o meu psiquiatra, mas é claro que ele não me entende.

Girou para afastar os outros, e segurou firmemente a chave de roda, quero dizer carlos, após conseguir afastar a maioria bateu firmemente em Zarl com toda sua força, não foi necessário mais que alguns golpes, para fazê-lo sangrar, ele tentava inutilmente retomar sua vantagem mas o porrete aumentava sua distância mais o limitava quanto ao tempo de ataque, enquanto isso com gigantesca agressividade, acertou Zarl na boca do estomâgo com a chave de roda, enquanto chutava um outro código mais alto com seu pé.

Sorriu, enquanto limpava a chave de roda ensaguentada, segurou-a bem diante de seus olhos, e enquanto carlos se desmaterializava juntamente com a aparência fisica da arma, dizia:

    • Heim, Heim Carlos! Podiam pedir de maneira educada, mas preferiram latir. Peguei a chave de roda que sempre resolve esse tipo de situação
      Por aqui…

O espirito diante dele era mais sério, eles sabiam que o que tornava um corretor livre forte, não era a soma do código de sua arma, com a soma do código do usuário, e sim a combinação do resultado do código do corretor, com o resultado subtraido ao código do usuário.

    • Você deveria ter mais cuidado Barrete, seus poderes de cura não são mais os mesmos, e você ainda não se acostumou comigo.

O homem sorriu entrando na pickup e a ligando, mas ao responder pareceu sério:

    • Meu caro, se nós não fossemos um resultado perfeito, eu teria deixado você de lado naquela oficina.

    • Você não seria tão cruel – olhou o espirito com uma cara séria, mas ao ver o sorriso doentio do homem das cabeleiras ruivas logo soube – seria sim…

Anúncios