Vou quebrar as regras. Mas não quero nem saber. Isso que é ser rock’n’roll. Ao invés de brindar vocês com uma resenha bobinha de um livro (ou de um quadrinho), eu vou falar pra vocês sobre o autor mais ROCK e mais ROLL que já viveu (e ainda vive): O glorioso Nick Hornby.

Ele sensualizando.

Mas eu não vou falar de tudo que ele já fez, não vou fazer resumo da vida do cara, e nem contar como ele ganhou ainda mais meu respeito ao criar uma entidade para ajudar crianças autistas depois que o filho dele nasceu com esse distúrbio.

Não, vou falar da obra do cara no estilo do próprio: Vou fazer um TOP 5.

TOP 5 Obras de Nick Hornby

5 – Uma Longa Queda (2002)

Dizer que eu gosto desse livro é pouco. Eu acho que todo mundo deveria ler ele uma vez na vida (isso acontece com tudo que vocês vão encontrar nessa lista). A história é simples. Quatro pessoas vão até o alto de prédios para cometer solitários suicídio na noite de ano novo. Mas escolhem o mesmo prédio, o que acaba com a idéia de solidão. Assim sendo, conversam e decidem não fazer nada de maneira precipitada. E a partir desse ponto, começamos a acompanhar a vida de 4 pessoas e o que as levou a acreditar que está na hora de terminar suas vidas.

Um dos personagens principais é um ex-candidato a astro do rock que perdeu tudo (ou assim ele acredita) perseguindo seu sonho e depois o abandonando. Impossível não simpatizar com ele, ainda mais se você já teve uma bandinha.

É triste, é pesado, e só me dá MAIS vontade de viver. Simples assim.

4 – Juliet, Nua e Crua (2009)

O livro mais recente do Nick, e o mais visceral. Acompanhamos Annie, uma garota cujo namorado, Duncan, é completamente maluco pelo obscuro roqueiro Tucker Crowe. Quando, depois de anos, finalmente surge para o público a versão acústica da obra mais famosa de Tucker, um disco chamado Juliet, Duncan fica fascinado. Mas Annie acha o disco insosso, e faz questão de escrever sobre isso. O artigo criticando o disco vai parar nas mãos do próprio Tucker, que entra em contato com Annie.

Juliet, Naked (nome original do livro e do disco acústico que faz a trama rodar) é uma obra sobre paternalismo, deveres, amores e arrependimentos. Tucker é a melhor representação literária de um astro do rock que eu já acompanhei, e Duncan é o avatar definitivo do espírito fanboy que tanto vemos por aí em fãs de música. Mas é por Annie, a garota geniosa e inteligente, que conseguimos sentir a conexão do livro com o mundo real. E, no final, nos vemos apaixonados por ela.

3 – Um Grande Garoto (1998)

Essa é a história de Will, um solteirão quase com 40 anos, que nunca teve que trabalhar e sempre teve a vida fácil, e Marcus, um garoto de 12 anos que vive com sua mãe com tendências suicidas. Não, essa é a história da amizade que surge entre um sujeito de 36 anos que se comporta como uma criança e um garoto de 12 que quer ser adulto, enquanto ambos se reúnem para ouvir musicas do Nirvana.

Exato, mais uma vez, temos a música como fio condutor da história. A própria riqueza de Will vem de uma música de natal que seu pai compôs e lhe deixou os direitos. Depois de uma vida egoísta e fácil, ele decide ajudar Marcus, em parte usando a grana para comprar coisas para o garoto, que de outra maneira nunca teria tênis da moda, entre outros badulaques. E Marcus resolve “lavar” a alma do solteirão, o ajudando a ser uma pessoa melhor.

Essa é uma história sobre não se sentir a vontade com pessoas da sua idade. Will, apesar da idade, é imensamente mais imaturo do que o pobre Marcus, que por outro lado não sabe se divertir como o trintão.

A obra foi adaptada para cinema em 2002, com Hugh Grant fazendo o papel de Will, interpretação que lhe rendeu uma nomeação ao prêmio do Globo de Ouro de melhor ator. O elenco é completado por Toni Collette, Rachel Weisz e Nicholas Hoult (que viria a ser o Fera de X-Men: Primeira Classe) como Marcus.

2 – Educação (2009)

Única obra aqui presente que não é um livro, e nem mesmo uma obra original do Nick. Educação (An Education) é um filme, roteirizado por Hornby a partir das memórias da jornalista Lynn Barber.

Aqui, em pleno ano de 1961, nós acompanhamos Jenny, uma garota de 16 anos cujos pais sonham em vê-la ingressar na Universidade de Oxford, algo que não a atrai. Extremamente inteligente e assustadoramente bonita, Jenny não vê a hora de ser considerada uma mulher adulta.

Ela então conhece David, um homem moderno, cosmopolita e, principalmente, mais velho, que consegue seduzir todos ao seu redor, inclusive os pais dela, e a leva para conhecer um outro tipo de aprendizado: o da vida.

Embora haja toda uma subtrama enraizada que pareça chamar mais a atenção, a idéia principal do roteiro é o conflito entre o aprendizado dos estudos e o aprendizado da vida, e em que medida eles podem co-existir sem se atrapalhar, e até mesmo qual deve ter prioridade. Apenas assistindo para tirar conclusões próprias.

O filme concorreu em 2010 ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz (Carey Mulligan, no papel de Jenny).

1 – Alta Fidelidade (1995)

A obra prima de Hornby. Toda esse lista e essa enrolação é motivada por esse livro. Mas eu vou inverter a regra e falar primeiro da adaptação para o cinema, de 2000

No filme, temos Rob, interpretado por John Cusack, dono da loja de discos Championship Vynil, que acaba de terminar seu relacionamento com Laura. Durante dias inteiros sua única ocupação é discutir com seus dois funcionários, interpretados por Todd Louiso e Jack Black, sobre listas top 5, a maioria delas relacionadas a música. No resto do tempo, ele continua tentando, com fervor religioso, gravar a fita cassete perfeita, com a melhor combinação musical na ordem mais perfeita, como sua própria versão da pedra filosofal. E eventualmente, vende algum disco.

A história inteira, tanto do livro quanto do filme que o adapta muito bem (mesmo mudando a locação para Chicago, em detrimento da original Londres), é guiada por discussões musicais. Inúmeros listas de “Cinco Melhores” pipocam pelas páginas, ao passo que a própria estrutura da história é pontuada por flashbacks de Rob sobre suas Cinco Separações Mais Memoráveis.

Acompanhamos Rob no caminho para fora da fossa do fim do relacionamento, com todos os percalços e músicas que isso traz, e depois a forma como o universo conspira para que as coisas não andem como ele esperava. Por fim, o destino do personagem é decidido também pelo seu gosto musical, uma vez que ele aprende a se reinventar e perseguir o que quer a partir de uma oportunidade musical.

Se a intensa ligação que Alta Fidelidade tem com a música não é o suficiente para te convencer de sua importância como livro divino do rock, talvez o fato do próprio Bruce Springsteen ter pedido para aparecer no filme faça alguma diferença.

Conclusão Conclusiva.

Todas as 5 obras da lista estão profundamente enraizadas com a música. Até mesmo An Education, na forma como David apresenta a Jenny os grupos musicais em alta na Inglaterra da época (se você pesquisar, vai descobrir que a década de 60 foi o estouro do rock em todo o mundo).

O trabalho de Nick Hornby é indissociável do rock. Não há uma obra sequer dentre as suas que não apresente um personagem cuja vida foi ou será imensamente alterada com o uso do estilo musical que tanto amamos. Para alguém como eu, que teve construiu dezenas de amizades baseadas no fato de gostar ou não de Nirvana ou Red Hot Chilli Peppers, não há maneira melhor de me reconhecer no trabalho.

Mas ao mesmo tempo, o tema mais contante de sua obra é outro: O amadurecimento humano. E nada poderia ser mais rock’n’roll do que isso. Afinal, são as mesmas experiências de vida que levaram nossos heróis a escrever épicos como Carry On My Wayward Son (Kansas) e Boys Don’t Cry (The Cure) que levaram o tio Nick a escrever suas histórias geniais.

Por isso, para mim, Nick Hornby compõe albuns de rock em forma de livros.

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