O meu primeiro foi uma coisinha feia branquela do Paraguay, tinha o corpo esguio, um braço mais escuro que seu corpo, tinha o seu valor, e claro como o primeiro com ele aprendi muitas coisas, tocar em seu corpo, trazia um brilho aos meus olhos, eu sempre amei o que ele significava, e acho bem lá no fundo que ele me amou também. Não tenho fotos dele, mas ele foi histórico para mim e para a minha família, passamos momentos juntos que não dá para descrever nesse parágrafo, mas de muitas formas ele me ensinou que quando se quer algo tem que se ter disciplina, tenho orgulho do que ele me ensinou, e tenho orgulho dos lugares que graças a ele, ele chegou.

É galera primeiro instrumento musical é assim, é paixão é amor, quem tem esse Hobby assim como eu pode me entender, já o meu segundo foi um Takamine, esse que segue ai nessa imagem acima, a foto não é minha, mas é idêntico a minha criança. Foi uma promessa de alguém, uma promessa que essa pessoa cumpriu e que me deixou muito feliz, o meu primeiro violão entrei na minha primeira aula quando eu tinha uns 7 anos, mas só fui aprender com o meu querido professor Thiago aos dez. 

A primeira música que pude aprender no violão foi Oração da Família do Pe. Zezinho, a segunda foi A Cera do Charlie Brown Jr. músicas simples com duas notas, mas em dois anos estava aprendendo a minha primeira Bossa Nova, Garota de Ipanema, música perfeita de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, meu amor pela música começou ai, não apenas pela música rebuscada mas pela música em geral.

E onde entra o lance de que o Violão mudou minha vida? Eu nunca fui um aluno dedicado, minhas notas, não eram altas, eram médias, não pelas provas mas porque sempre fui um total relaxado, e ainda sou, mas foi um evento que me incentivou a começar a me dedicar mais e mais ao violão, minha primeira participação foi em 2007 não fiz nada, só participei de uma ou duas oficinas e ajudei no teatro da minha professora de Artes, Eunice, santa mulher por me aguentar, eu sempre fui um respondão e ainda assim ela me colocou lá dentro e no ano seguinte me incentivou a participar tocando uma música na apresentação do Fera que seria em Maringá.

Fera Maringá, primeiro evento que culminaria em 2009, o melhor ano da minha vida, aconteceu em 2008 viajamos para Maringá num ônibus onde nem todos eram do meu colégio, pessoas de colégios diferentes de Umuarama e Região, inclusive amigos meus da igreja, o Aaron e a Talissa estavam lá amigos que posso guardar por uma vida de uma amizade, que se já era grande antes do Fera foi se tornando maior, a Bia outra pessoa que conheci pro lá e até hoje mantemos contato, e tem também pessoas que se tornaram memoráveis, Evelise, Patricia, Bruno Carmona, Érica, Patrick, pessoas de outra cidade, e foi o Carmona que me deu a ideia que realmente envolve o violão, o Carmona dormia cada dia em um dormitório, como eu não podia fazer isso pelas regras do Evento, eu voltava cada dia em um ônibus de uma escola diferente, isso enlouquecia a coitada da Eunice, mas fez eu conhecer várias pessoas de outros colégios. 

Nessa fera tive meu primeiro contato com a filosofia oriental, através de um professor e escritor, no mesmo galpão tinha uma oficina de mangá e direto eu fugia para lá para ver os trabalhos da galera que lá ficava. Tem também algumas histórias que não são do horário, mas valeu a pena, o banho gelado, o calor dos infernos, os peidos dos guri do Hilda, e o Ronco do Sandro combinado com o do Robson Roqueiro.

E ai chegou 2009 não tinha pretensões de participar do Fera, porque eu estava estudando em um colégio particular, mas larguei meu serviço e voltei a estudar no Colégio estadual enquanto fazia cursinho lá, e participei do Fera que talvez tenha levado a minha vida para outros rumos. Como esse Fera participava apenas o núcleo de Umuarama e o lugar do almoço era longe do lugar de realização, eu pude aproveitar para fazer todas as viagens com ônibus diferentes,e acho que foi na quinta ou sexta viagem que eu conheci os loucos de Iporã, Vanessa, Andressa e Amanda, como posso esquecer de vocês? João, o professor de português que andava com você aquele cara que mais parecia mais um aluno? 

Lembro do apelido dele Gogoboy né? Bem o que eles fizeram de diferente? Caíram na brincadeira, começaram a tocar e cantar comigo, mas que conversaram naqueles tímidos e curtos momentos se tornaram meus amigos, foi divertido, mas me fez levar na cabeça essa ideia de que onde eu estivesse valia a pena tentar fazer amigos, mais tarde essas idéias a diversão e as discussões sobre música, arte e poesia que começou neste evento, me levaram a um caminho que me fez conhecer o Rafael.

Nesse ano de 2009 toquei Garota de Ipanema, que lembram-se foi minha primeira bossa, foi um ano legal, onde o violão mostrou o meu caminho, sempre quando me dá um desanimo, eu paro e toco aquelas mesmas músicas que eu tocava no ônibus, relembro das amizades daquele sentimento e toco pra frente. Vieram outras motivações para mim claro, mas a única coisa que não mudou, é que não consigo ficar longe do meu violão mais do que alguns dias. 

Valeu Violão, Valeu quem idealizou o Fera, Valeu Galera de Iporã, mudou minha vida isso.

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