Eu ando numa onda muito louca de assistir filmes que passam uma mensagem. Além de assistir várias vezes Feitiço do Tempo, que eu resenhei no último Cidadão Marx, tem outro filme que eu tenho visto e revisto igual um doido: Beleza Americana.

O que é viver no subúrbio? Todos os dias se parecem, ficamos presos em empregos irritantes, e as relações começam a colapsar, deixando só uma casca oca de aparências.

Essa é a história de Lester (Kevin Spacey). Um cara que perdeu em algum momento o controle da sua vida e se vê na situação de ser um suburbano comum, numa vida de merda. Sua filha o odeia, sua mulher o despreza, e o pessoal da firma onde trabalha o acha dispensável. E justamente quando ele se vê sem saída, surge uma musa, que o inspira a mudar sua vida e dar uma bica na mesmice.

E essa musa é ninguém menos do que uma colega de colegial de sua filha. Angela (Mena Suvari <3) é o pitéuzinho colegial que ele escolhe como ambição, e tem idade para ser sua filha, por isso eu agora irei chamá-lo de Pedobear.

Ao mesmo tempo que Lester Pedobear vê sua vida sendo alterada para melhor pelas decisões que vai tomando quando decide chutar pro espaço as convenções sociais, a vida daqueles ao seu redor também vai se alterando. Sua filha, Jane, começa a receber flertes do esquisitão filho da família que se mudou para a casa ao lado, Ricky.

Ricky em si também é motor para as mudanças na vida de Lester Pedobear. Por trás de uma fachada de rapaz trabalhador que ele passa para seu pai, um ex-fuzileiro autoritário, ele é na verdade um maconheiro e traficante, e começa a fornecer drogas para Ricky. A relação dos dois, de pura amizade, é confundida pelo pai do rapaz com uma experiência homossexual, o que também vai alterar tudo que está acontecendo.

Como se não bastasse, a esposa do cara, Carolyn, começa a ter um caso com o colega e rival Buddy Kane (parece nome de cerveja), a quem ela admira e tem uma posição de poder sobre ela.

Beleza Americana é um filme que não é preciso ser apresentado como incrível, pois a quantidade absurda de prêmios que a película ganhou fala por si só. Não é um filme sobre como a vida é chata. Não é um filme sobre como você precisa viver a vida. As atitudes de Lester Pedobear no filme não são uma apologia a você chutar a sociedade onde dói e fazer o que quiser da vida, muito pelo contrário. Quando Lester começa a se sentir atraído pela amiga da filha, quando começa a pegar amizade com um traficante do colegial, e mesmo quando vai trabalhar numa lanchonete, a idéia do filme não é que você largue mão de tudo, dê um grande foda-se para o caso da sua esposa, e vá vender pastel.

Esse é um filme sobre tomar as rédias da própria vida. Sobre como, quando você se ver no leito de morte, o que você vai se arrepender é de ter deixado as situações e convenções te guiarem, e não seus desejos. É sobre como, na América (e eu digo em toda ela, não só nos Estados Unidos), você pode viver como bem entender. Essa, no final, é a beleza americana.

PS: A trilha sonora de Thomas Newman casa perfeitamente com a fotografia.

Anúncios