A vida imita arte, esse é um ditado muito antigo, estavam todos ali com um único objetivo a antes menina agora mulher que pouco a pouco construí uma reputação dirigindo cortes e aproveitando de suas ideias loucas combinadas aos roteiros únicos de um amigo de infância que sempre a incentivou, de certa forma aquele era o fim, a ultima parceria entre os dois, e nesta ultima parceria eles encenavam como se conheceram, e o que poderia ter acontecido se ao invés de se afastarem a léguas de distância os dois tivessem ficado próximos, tinha um titulo sedutor criado por ela não por ele, que desde sempre nunca tivera muita criatividade para títulos, “Histórias nunca vividas”, não era um filme voltado ao grande publico, era mais mesmo uma maneira de encerrar a parceria, que vinha sendo tão proveitosa.

                Aparentemente nenhum dos jornais tinha conseguido o grande furo, até a produção de grandes programas de TV que sempre haviam tratado a dupla quando unida como uma aberração, questionando os seus altos números de bilheteria, agora os procuravam tentando entender este anúncio, e eles nada falavam só sorriam, e diziam é simplesmente o ultimo, estamos ficando velhos, e já estamos cansados de trabalhar só a gente.

                Mas não era verdade, ele tinha escrito uma novela, feito alguns filmes, escrito quadrinhos e podia encher uma estante só de livros dele em seu quarto, ela tinha dirigido duas minisséries para canais pagos, dirigido alguns videoclipes de bandas independentes se divertia sempre no set, e apesar da voz que podia ser ríspida e direta nos momentos certos, era primorosa, mas quando se reuniam os dois, eles ficavam em um canto conversando e tirando sarro de um detalhe ou outro, se divertiam bastante com isto, e assim foi educavam cada ator a tomar os trejeitos de si mesmo na juventude, ele barbudo e baixinho, ela de rosto leve e olhos claros, dois contrapontos que se acertavam entre si.

                E ai a vida imitou a arte, ela encenava o roteiro, e sentia uma vontade de fazer aquilo que não fizeram na juventude, ligava para ele e passavam a tarde inteira juntos, e a amizade só aumentava, e nas mídias só se questionava se esta não havia sido uma jogada de marketing para mais um filme fraco da dupla do Noroeste do Paraná, que cresceu em cima de expectativas, e pela pura reputação de seus autores, que em separado poderia até ser genial, mas que juntos não tinham aquele potencial todo, eram superestimados, falatório de mídia recalcada de certa forma, pois a dupla nunca aceitara trabalhar junto quando trabalhando para estas.

                E foi assim, e aquela pergunta tão discutida durante meses, pode ser respondida, e aquela dupla estranha, de maneiras estranhas, jeito de falar estranho, enigmas estranhos, acabaram respondendo e mostrando de forma simples o porque de tudo aquilo, não foram na grande estreia, ao invés disso ficaram em casa, revendo os primeiros curtas, e se perguntando a cara de todos, ao saber que a grande verdade era, que por conta do trabalho eles nunca tinha tido tempo de ser amigos.

 

Dedico esse texto a Andressa Bertinetti, uma amiguinha louca minha, que sabe que mora no fundo de minha mente, e que sabe que é uma das grandes incentivadoras desse projeto aqui.

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