Caminhava pela rua tranquilamente, afinal ele nunca havia sido apressado mesmo, parou no sinaleiro, não sabia se o sinal estava fechado ou não, só queria puxar um cigarro e fumá-lo antes de atravessar a rua, uma velha mania. Mas nem chegou a conseguir tirar o maço do bolso, alguém esbarrou nele de forma bruta, e antes que ele conseguisse dar conta da situação ela já havia se levantado e saído correndo.

Foi a primeira vez que ele a viu, um corpo esbelto, da pele pálida, ela não devia ter mais que dezesseis anos, um cabelo castanho, e uma boca vermelha, mas não conseguiu ver seus olhos e tamanha pressa, ela olhava para trás sempre correndo, e tamanha era a pressa que ela nem notou que sua carteira havia caído. Ele pegou a carteira e tentou correr atrás dela, o sinal abriu e mesmo assim ele continuou, e só parou quando foi interceptado pelo carro, e só não foi atropelado por pouco, o motorista xingou e mesmo assim ele continuou.

Correu através da calçada, correu tanto que a alcançou, foi quando ela se virou, e antes que ele pudesse pensar aquele corpo lindo e magro o acertou em cheio com um chute na barriga, e então ele teve certeza seus olhos eram de um puro mel, olhos de mel, mas o seu chute não tinham nada de doce. Ela olhou bem pra ele e a falta de um terno e uma gravata, e a visão de sua carteira na mão dele, fez com que ela percebesse seu erro, mas não tinha tempo e antes que ele percebesse alguma coisa ela estava de volta a correr, mas ele era forte a segurou pelo braço antes que esta voltasse a correr, ela não queria acertá-lo ele não tinha nada a ver com isto, e em meio ao desespero de suas indecisões ela falou, sua voz era doce, clara e mesmo carregada de nervosismo trazia sentimentos desconexos a quem a ouvisse.

“Você não entende”, disse ela, “eu preciso fugir”, ele olhando no fundo de seus olhos continuou sem soltá-la, mas também não era um tolo, aquela pressa toda, provavelmente tinha bons motivos, e ele não queria arriscar, a mão que antes a puxava para si agora de pé a carregava por aquelas vielas, elas eram um risco para qualquer um que não as conhecesse, davam em círculos e tinham caminhos tortuosos, mas para ele ali nascido, todos os atalhos daquelas vielas estavam em suas mãos, enquanto a carregava ela se queixava, “largue-me, se me ajudar eles viram atrás de você também”, mesmo assim ele não relutou, quando chegaram ao sobrado, ele abriu a chave e levou para cima, e trancou a porta.

“Aqui, você estará segura, agora me conte do que fugia”, ela revirou os olhos, não disse nada, pensou um pouco no que fazer, e após um bocado de indecisão, virou-se para ele e procurou dentro de sua bolsa um Pen Drive.

“Coloque isto no seu computador, você vai me entender”, no Pendrive, tinha fotos de um senhor de idade já avançada, acompanhada de outro homem de aparentemente uns vinte e tantos anos, e a menina, junto as mais diferentes figuras do alto escalão, “Este senhor é meu Avô, e este é meu irmão, nossa família, e estes conosco são os ramos da Famiglia, a parte dela que vocês veem”.

“E o que é a Famiglia?”

“Somos o que vocês chamam de máfia.”

Ele tomava um copo d’agua quando ela falou essa ultima frase, e após rir um pouco de nervoso, da loucura da moça, ou da situação extremamente complexa em que estava, tinha pensado que ela estivesse sendo seguida por um namorado nervoso, um homem pervertido, mas máfia, ela era louca enfim. “Tá, mas se você é da máfia, a Famiglia não deveria te proteger? Então de quem você foge?”

“Toda Máfia tem seus inimigos, ainda mais quando se está em guerra.”

Era estranho mas agora tudo fazia sentido, por sorte aquela menina, tinha encontrado um apaixonado por teorias da conspiração, ela podia ser louca, mas tinha fundamento e uma série de fotos, que provava que ela talvez tivesse razão, ele não ia deixar passar a oportunidade de talvez embarcar naquilo, além de tudo ela era linda, e dai que ela era nova demais para ele, ele nem era tão velho assim, só tinha vinte anos, quatro anos não eram nada, e talvez ela fosse mais velha do que aparentava. Após seu rápido pensamento e de observar ela por um tempo finalmente deu um suspiro longo e se levantou, enquanto se espreguiçava, “Estamos seguros aqui, eu te garanto, mas e agora o que fazemos”.

Uma forte batida na porta do sobrado, “não fazemos nada, eles já estão aqui” fez sinal para que ele abrisse a forte, um homem vestido de terno, adentrou a sala, tiveram uma discussão rápida no hall de entrada e ele se dirigiu até o que para ele não passava de um garoto. Olhou no fundo dos olhos dele e disse, “garoto o que você faz da vida?”

“Sou estudante, faço Publicidade e propaganda, esse é o meu escritório, gostou?”

“Bom, sempre há espaço na máfia para esse tipo de profissão, garoto você é descendente de que?”

“De Espanhois, meu nome é Leonardo Cardona”

“Pois bem, benvenuti nella famiglia.”

Ao terminar de falar isso o homem escreveu um numero para o qual Leonardo deveria ligar, a moça foi arrumando suas coisas e seguiu para o carro, junto ao senhor que havia adentrado. Ele meio besta por tudo aquilo, e de saber qual seria a função dele para com essa Famiglia, correu até a porta, “Moça, afinal qual o seu nome”.

“Meu nome é Clarabella, mas fique tranquilo, nós iremos nos encontrar muito de agora em diante, afinal, agora você é meu novo Relações publicas”.

Ele fechou a porta, correu até a geladeira, pegou uma cerveja, e enquanto olhava as fotos que haviam ficado ali em seu computador, observava o quanto ela era Bela.

Anúncios