Os americanos são loucos. Com milhares de tradições estranhas que esse povo tem, uma das mais incompreensíveis é a mania de perguntar pra um roedor sobre quanto tempo vai durar o inverno, no chamado Dia da Marmota. Ou, como eles falam por lá, Groundhog Day.

Se esse dia já não fosse estranho o suficiente, que tal viver ele repetidamente, sempre acordando no MESMO dia, com as mesmas coisas acontecendo? É esse o plano de fundo do filme que leva o nome desse dia por lá, mas que por aqui levou o título de Feitiço do Tempo (o que faz sentido, já que não estamos familiarizados com a idéia de perguntar sobre o tempo pra um animal).

O protagonista é Phil, interpretado pelo incrível Bill Murrey, um egocêntrico homem do tempo de um canal de Pittsburgh. Ele vai arrastado até Punxsutawney, a excêntrica cidadezinha onde a marmota reside no maior conforto na praça principal. Sim, meus amigos, os americanos não perguntam para qualquer roedor sobre seu futuro climático, mas para uma marmota devidamente criada e treinada e com phd em climatologia. Aí está a diferença para o primeiro mundo, que sempre elege para a cidade um prefeito que saiba interpretar os qui qui quis do ser peludo.

Phil é acompanhado por uma produtora do jornal onde trabalha, Rita (Andy McDowell) e pelo cinegrafista Larry (Chris Elliot numa de suas interpretações mais engraçadas). Phil não queria estar ali, o que fica claro logo nos primeiros minutos de filme, mas trabalho é trabalho, e ele o faz com muito contragosto e insatisfação. Ele odeia Punxsutawney, a cidade que é mais difícil de soletrar do que Schwz… Shuase… Chuazenéguer.

Mas aí é que a paçoca desanda. No “dia seguinte”, ele é despertado pela mesma rádio, tocando a mesma música, com o locutor dando o mesmo bom dia. E isso acontece de novo. E de novo. E de novo. E de novo. Mesmo quando ele se cansa e resolver tomar soluções mais drásticas, ele continua a despertar no mesmo santo dia, na mesma santa cidade, com o mesmo santo trabalho para ser feito. Imagine ter que acordar centenas de vezes na mesma segunda feira chata. Pois é.

O filme não é sobre lapsos temporais, nem mesmo sobre o que diabos o está deixando preso naquele dia chato. Os responsáveis pelo filme não gastam nem meio segundo se preocupando em explicar o que diabos está acontecendo. Mesmo quando o personagem principal se vê nessa situação, ele não fica se questionando o porque de isso estar acontecendo com ele. Ele simplesmente admite que algo está errado com ele e que ele precisa descobrir o que é para sair dessa volta infinita. E ele vai por tentativa e erro.

Se você não gosta de pensar, essa não é a comédia pra você, e indico que você vá ver um outro filme. Se você gosta, esse é o melhor filme do gênero, na minha humilde opinião. Se você não gosta de comédias, você pode ir comer pudim com a sua avó enquanto joga tranca. A questão é que a busca de Phil pelo que está errado em sua vida é uma dramatização da busca diárias que todos nós temos em nossa vida, nos questionando os porquês das nossas indiferenças e defeitos, e tentando melhorar. O final do filme pode ser meio piegas a primeira vista, mas mostra como o universo, mesmo quando parece, não está rodando em volta do nosso umbigo.

Enquanto isso, na sala de justiça.

Hollywood, nos últimos anos, só me tem trazido alegrias na questão filmes grandes. Claro que nós temos grandes erros, filmes que nem deveriam ter sido feitos. Mas parece, ao menos pra mim, que a qualidade do produto finalmente tem sido levada em conta. Ao menos, é o que mostram os produtores do novo Robocop. Depois de anunciar que eles haviam entregado a direção criativa do projeto para José Padilha, conhecido por ter feito e dirigido os dois Tropa de Elite (convenhamos que tem tudo a ver), eles anunciaram grandes nomes para o filme. Depois de anunciarem Gary Oldman (o maior gritador do cinema, conhecido pelo papel mais contido de Comissário Gordon nos filmes mais recentes  do Batman) e Samuel L. Jackson (dispensa apresentações), surgiu essa semana a notícia de que eles estariam negociando com Hugh Laurie, o eterno doutor House, para fazer o papel de grande vilão do filme.

Outro ator que eu sempre me questionei por que diabos nunca foi realmente aproveitado num filme era Edward James Olmo, o capitão Adama de Battlestar Gallatica. E eis que essa semana ele é anunciado como reforço para o elenco de Machete Kills, continuação de Machete, o melhor filme “trash proposital” desde Um Drink no Inferno. Não é de se estranhar que todos esses filmes tem como responsável Robert Rodriguez, que entre uma loucura e outra fez a série Pequenos Espiões (que também só pode ser obra de uma mente chapada).

E falando em filme trash, mas dessa vez com a conotação ruim da palavra (se é que existe uma boa), essa semana saiu o trailer de Resident Evil 5: Retribuição. Ou, como eu prefiro chamar, “a quarta tentativa de fazer um filme tão bom quanto o primeiro, que já nem era tão bom quanto os jogos”.

O trailer empolga bastante. Assim como o trailer do quarto filme da série empolgava. Ou o do terceiro. E vocês sabem no que deu, certo? Enfim.

E já que estamos falando de tristeza: Adiaram o filme que seria o reboot das Tartarugas Ninjas no cinema. Eu esperava poder ver o filme no natal de 2013, mas agora anunciaram que o filme só vai sair mesmo em Maio de 2014, devido a “problemas de roteiro”. É o terceiro filme adiado pela Paramount só nesse ano, que já havia empurrado com a barriga a pós-produção de G. I. Joe: Retaliação (que eu nem ligo) e World War Z (o que causou uma semana de depressão na minha pessoa).

A semana ainda teve trailers e revelações de Django Livre, próximo filme do mágico Quentin Tarantino, que é um faroeste sulista sobre um escravo liberto (Jamie Foxx, de Dreamgirls) que tenta resgatar sua esposa de um fazendeiro maluco (Leonardo DiCaprio), com a ajuda de um mercenários alemão (Christoph Waltz, o detetive nazista maluco de Bastardos Inglórios, também do Tarantino).

E pra terminar bem, surge a notícia de que a Paramount vai produzir um filme sobre Splinter Cell, série de jogos protagonizados pelo fodão Sam Fisher, de autoria do grande Tom Clancy, que virou livro nas mãos de vários autores com o pseudônimo David Michaels. Clancy é responsável por várias séries de livros que inspiraram jogos e filmes, como Rainbow Six e A Soma de Todos os Medos. Se a Paramount não ficar adiando mais esse filme, vai ser só alegria.

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