Em meados do século trinta da contagem dos Batrani na província de existiam dois povos, os Rossu liderados pelo velho sábio Lepti, e os Cenusa liderados pelo grande e forte guerreiro Rasboni, os Lepti segundo as lendas descendiam do próprio fogo, homens da colheita e da adoração aos Ifrit gênios do fogo, a mistura mais pura do perigo e da sabedoria, já os Cenusa eram adoradores de Shiva causadora do Caos que os levava em suas missões do deserto em segurança de Oasis a Oasis.

Durante este período aproximava-se de Mare um grande mal, os Nebun adoradores da espada sagrada Sabie, vinham pela terra saqueando e queimando cada vila dos Rossu, estes que nunca tiveram tradição para guerra mandaram mensageiros para que estes chamassem o apoio dos Cenusa, conhecidos por sua grande habilidade em batalha e de seus grandes feitos juntos a Rasboni e seu machado Balerin, este mandou os mensageiros Rossu retornarem com a seguinte mensagem, “Os Cenusa irão sangrar em nomes do Rossu, e depois darão seu preço”.

E assim o fizeram os Cenusa batalharam contra os Nebun, Rasboni ao balançar Balerin pelo ar, o machado mágico abençoado pelos sacerdotes de shiva, ornamentado apenas com o vidro feito da areia do próprio deserto facilmente quebrou Sabie acabando com toda a moral da tropa Nebun, após essa batalha os Cenusa não precisaram mais do que uma investida no meio da noite para varrer da terra de Mare qualquer vestígio do que antes havia sido uma grande horda. Feito isto o exército Cenusa se dirigiu em massa a capital da nação Rossu, a  Cidade Vermelha símbolo da riqueza e da sabedoria da raça Rossu tremeu ao ser circulada pelo enorme exército nômade.

Em cavalo como a tradição dizia, Lepti foi receber o grande Rasboni, acompanhado de sua filha, este desceu e seguiu a pé enquanto Rasboni tomou o cavalo, isso indicava amizade, o Líder de uma nação o estava recebendo bem, e ao guiar o cavalo indicava que Lepti o levava para ver toda a cidade, entretanto de cima daquele mesmo cavalo Rasboni deu seu preço.

“Meu preço Lepti, é seu povo, e em suas tradições para eu ter seu povo eu devo ter sua filha, portanto terei sua filha esta noite Lepti”.

Lepti em sinal de aprovo apenas abaixou sua cabeça, ao inicio de tudo ele sabia o preço de Rasboni, e estava disposto a cumprir, porém sua filha era a paga de uma divida muito maior, uma divida que nem Rasboni poderia pagar, mas ele sabia como homem sábio, que naquele momento, ele devia deixar os Ifrit decidirem, quem seria o verdadeiro detentor daquele prêmio. Mas de modo infeliz ainda assim olhava sua filha, e sabia, por mais bondosos que fossem os Ifrit, o destino de todos já estava selado. Chinui estava vindo e o calor indicava que estava furioso.

Uma chama viva vinha pelo céu até a cidade, era tudo que se podia ver ao longe, a cada passo do cavalo de Rasboni para dentro da cidade mais os moradores daquela se silenciavam, o sol claro de momento é obscurecido pela chama, a chama que para em frente a Rasboni, de dentro dela se vê um homem vestido de roupas finas, um turbante de seda que parece não ter sido queimado pela chama, ele olha diretamente para Lepti, e sem nenhuma palavra avançou até a filha do mesmo.

Rasboni tomando as rédeas do cavalo avança contra o desconhecido e em palavras bruscas o repreende.

“Quem, divindade ou homem, ousa me desafiar, eu que brando o machado Balerin uma das armas que a própria shiva usou em batalha?”

O homem com sorriso em seu rosto começa a olhar diretamente para Rasboni e sua arma, Balerin o machado de guerra da deusa Shiva, também conhecido como shiva encarnada, aquele que o possuía poderia facilmente se equiparar a qualquer gênio, ifrit ou não, mas este não era um gênio comum, era um filho de Rug, e todos que já haviam desafiado um filho de Rug deveriam saber do poder destes em combate.

“Sou Chinui, da dinastia de Rug, e vim defender a minha paga perante a sua, meu contrato com este homem é a virgindade desta mulher.”

Rasboni olha Lepti diretamente em seus olhos, não havia nada que o homem sábio não entendesse dos costumes dos Cenura, um povo nômade que tinha como maior costume para poder transitar livremente entre as terras dos grandes senhores de Mare cobravam como paga de seu trabalho as filhas dos contratantes, pois a eles não faltava riqueza, e a eles sobrava poder.

“Lepti é sabido em toda Mare que é um homem sábio, mas me pergunto, desde quando os Rossu começaram a negociar com demônios?”

Chinui agora em chamas avançou contra Rasboni com todo seu furor e enquanto seus braços socavam Balerin em pleno ar podia se ver em seus olhos o mais puro ódio, não havia ofensa maior a se fazer a um Ifrit do que chama-lo de demônios, embora, seus contratos não diferenciavam de forma alguma destes.

As duas armas se enfrentaram, e a força de Chinui faz com que Rasboni seja derrubado do cavalo, neste instante a mulher, motivo de toda aquela disputa  desce de seu cavalo e se interpões entre os dois.

“Afaste-se mulher, se mata-la terei que matar todo seu povo.”

A mulher em tom de calma retira seu véu, mostrando a todos o seu cabelo loiro e olhos verdes, uma face aquilina mais ainda assim bonita, sua pele era branca apesar de todo o tom da cidade, sua altura não era muito alta, uma mulher baixa, uma pequena mulher bela, mas com lábios firmes e grossos, lábios desafiadores.

“Não vejo confronto entre suas pagas, meus senhores, a um é devido o meu dote e a outro minha virgindade, e cada um terá o que é de direito a ele.”

Neste momento o demônio ri profundamente, Rasboni não pode voltar atrás, pois enfim aquele era um combate sem nenhum sabor, mesmo com toda sua força nenhum homem tinha voltado vivo de um combate daqueles, pois aos Ifrit era dado um dom que não era dado a nenhum humano, a eternidade.

E foi neste dia que o povo Lepti teve sua herdeira desposada por Rasboni, e foi deste tratado que nasceu Dinfoc, que significa na língua das terras de Mare nascido do fogo, o homem que mudaria toda a Mare, um homem nascido do fogo e criado por um guerreiro.

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