Freeze

            Nem a vi partir, sentado no meu canto fumando meu cigarro, preferi evitar encarar sua saída. Não queria ver seu rosto, o batom manchado, ver seu vestido amarrotado, como se não importasse o que tivéssemos feito para melhorar a noite, continuasse arrependida.

            Nos encontramos no mesmo bar do passado, um lugar um pouco sujo e de mal gosto, mas com nostalgia a dar e vender. Sentamos na mesma mesa de quando ainda éramos muitos. Ela como sempre bem vestida demais pro lugar, eu como sempre conseguindo me vestir pior do que qualquer adolescente sujo e sem grana que quisesse aproveitar a cerveja barata e a musica antiga sempre melhor que qualquer coisa feita hoje em dia.

            Não sabíamos direito o que falar, os anos tinham conseguido tirar da gente os assuntos, nos ocupávamos demais com as contas a pagar no fim do mês, ou com problemas corriqueiros de trabalhos que não havíamos propriamente “escolhido”.

            Falamos do passado, da época que o Carlos, ou o Felipe ainda estavam com a gente, um pouco do presente, de como a Samantha estava feliz casada com o Douglas, aquele meu primo magrelo que tinha saído com a gente algumas vezes antes de começarem a namorar, de como a Marcia parecia bem depois de seus dois filhos. Tocamos no assunto futuro, bem de leve, eu ainda falava de largar meu emprego por um tempo e fazer meu tão sonhado mochilão, seis meses na américa latina eu dizia, mesmo sabendo que eu não tinha nem idade, nem pique para fazer o que eu falava.

            Foi então que ela me disse, sobre casar, sobre ter conhecido um cara, sobre como ele era legal, divorciado e mesmo assim bem próximo dos seus filhos do primeiro casamento. Sobre como os garotos a chamavam de tia, como a menina era bonita, as fotos comprovavam, eu me calava apenas sorrindo.

            Tentava segurar a vontade de fumar, mas com tudo aquilo a ansiedade ascendeu, pedi licença e fui fumar, ela odiava quando eu fazia isso, eu sempre falei para mim mesmo que esse era o motivo para nunca termos ficado juntos, não era.

Eu sabia que a gente não ficar junto tinha muito mais a ver com o porque estávamos juntos ali, ainda os únicos vivos e com disposição para sair num pé sujo aquelas horas da noite: Sou o mesmo velho covarde com medo de assumir os meus riscos.

Por esse motivo eu não havia conseguido engrenar em meu sonho, fiquei só com a boa vaga e o bom salário de um concurso, a mesma razão que eu não tinha casado, meus namoros não duravam mais que meses, eu fugia de tudo e de todos e como sempre quando tinha problemas eu me isolava, não deixava que me ajudassem.

O cigarro queimava, cinzas caiam no meu velho tênis, sabia que já tinha que ter comprado um novo faz tempo, mas me recusava a pagar os caríssimos preços do mercado de consumo, tentava resistir até o ultimo a cair nos devaneios consumistas, mesmo sabendo que isso era estranho pra um velho.

Ela chegou por trás, uma mistura de cheiro de um bom e doce perfume com um bom hálito de whisky, sempre gostei dela por isso, ela gostava mais de bebidas fortes do qualquer pessoa que eu conhecia, até mesmo eu. Xingou baixinho pelo cheiro de cigarro, ela sempre ficava assim quando estava bêbada, embora dessa vez eu sabia, ela não estava bêbada.

Disse algo, eu não entendi, virei pra ela saindo de seu abraço e puxando outro trago, fazendo uma pergunta desonesta, embora eu não tivesse a intenção.

— O que?

— Eu te amo caralho, não deu pra entender?

— Mas…

Ela riu, era a minha cara agir daquele jeito. Era clichê que nossa história terminasse assim. O normal, seria claro a gente se beijar, eu pedir para que a gente ficasse junto, que eu a impedisse de se casar, que a gente ficasse junto e se casasse. Mas para nós isso não iria funcionar, sabíamos de tudo isso há muito tempo, para aumentar o clichê, desde que nós tínhamos visto a primeira vez.

— E agora? O que tinha para dizer já foi dito não é?

Ela fez um rosto de dó, acho que ela esperava alguma reação menos passiva, não sei se o tempo tinha dado a ela alguma esperança, ou se comprovar a realidade apenas a machucava mais.

Desenvolver uma vida nesse meio tempo, ainda mais uma vida cômoda, tinha me dado tempo para pensar muito no “e se” que se apresentava naquela hora. Quando uma coisa acontece fora do seu tempo, tudo que você pode fazer é ignorar e seguir em frente, não adianta viver num momento o que foi feito para outro.

Quando ainda é cedo, se pode mudar tudo, pode-se dar outra chance, se pode errar, se enganar, mentir pra si mesmo, ignorar as dores, respirar um pouco e ir fundo. Mas quando é tarde, tudo que resta é pensar “e se”.

— Uma transa, é tudo que eu preciso.

Eu ri, ela não podia estar falando sério, mas sua cara me traia. Eu queria negar, porque sabia que depois daquilo seria apenas eu naquele bar, seria apenas eu me encontrando comigo mesmo pensando nas coisas que poderiam ser diferentes, nos amigos que poderiam ainda estar aqui se não fossem erros, pensando em como eu poderia agir. Eu não podia.

Ser algo que minha cabeça achava certo ao invés de ser eu não fazia parte do meu estilo, fiz que sim. Fomos para fora, chamamos um táxi, ela sempre me xingava quando eu ia com meu carro beber, eu nunca fui capaz de preocupa-la de verdade. Ela escolheu a minha casa, ou fui eu que escolhi, naquela hora o álcool cerrava tanto meu discernimento que não me lembro ao certo.

Fizemos, ela chorou, se negou a acreditar que ia ser só aquilo, partiria para uma vida melhor, uma vida que poderia a satisfazer, fugiria para bem longe das promessas vazias que ela sabia ser mentira. Eu era só aquilo, apenas um amontoado de lembranças para serem esquecidas, apenas um cara parado no tempo com meus problemas e traumas que não estava disposto a mudar de forma alguma.

Ela precisava recomeçar, esteve muito tempo parada no mesmo ponto apenas para esperar que eu estivesse pronto até perceber que eu nunca iria avançar. Existem pessoas que congelam em algum momento da vida e ficam ali para sempre, eu era uma destas, fechado para sempre no momento que o meu carro tinha saído pela ultima vez daquele bar e eu tinha visto todos juntos.

Parado no tempo, sentindo sempre os mesmos gostos, com medo de perder as lembranças, sabendo que nunca seria capaz de avançar, sabendo que minha época tinha sido outra e que estava ficando velho sem verdadeiramente jamais amadurecer.

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Sátiro

 Ninfa e Sátiro (1860), de Alexandre Cabanel
E se, no meio da confusão, no meio do som alto de conversas, copos e copos sendo entornados, corpos e corpos se tocando, pessoas e pessoas agitadas. Se, em meio a tudo isso, nossos corpos fossem transformados?

            Transformados? Que besteira. Mas e se, no meio de tudo isso, nossas verdadeiras identidades fossem reveladas? Eu um sátiro, um daqueles seres de mito, velhos homem-bodes rabugentos, cuja única emoção que podem sentir é tocar sua flauta em louca perseguição a uma musa, sem saber – ou sabendo, quem sabe – que nunca poderá alcançá-la.

            Você, é claro, uma musa, com sua beleza estonteante roubando da natureza tudo que ela pode lhe dar, roubando do seu redor todo brilho e, não só para a minha surpresa como para a de todos, brilhando como se fosse uma estrela apaixonada. Me desculpe os exageros, você nem irá entender nada que eu escrevo quando ler, mas não custa ao escritor tentar cativar ao mundo com seu agradecimento a uma musa.

            Imagine que eu corresse atrás de você, bobo, tocando minha flauta, achando sinceramente que um dia teríamos nossa chance, e você, sem perceber, apenas caminhando velozmente pela natureza, seguindo seu elemento – seja ele terra, ar, água ou fogo – simplesmente me puxando para dentro de você.

            Mas por que não sonhar mais longe? Deixa eu sonhar esta noite que eu fui um sátiro e você foi minha musa e que desafiamos o céu, que deitamos na relva, que nos amassamos um contra o outra, que eu senti sua carne sobre a minha e você me fez feliz – coisa rara, você não sabe, mas um dia perceberá. E que, por um instante, você agisse para comigo não como para com um sátiro, me torne um contigo e me dê um pouco de tudo aquilo que te faz especial, deixa que troquemos tudo que for necessário e depois vejamos o resultado. Esqueçamos toda e qualquer convenção já antes definida, ou que seria definida em um futuro próximo, simplesmente dê amor para mim.

            Não sou nem um pouco sátiro, talvez isso me torne ainda pior, pois no fundo sou um imenso mentiroso, usando um mito belíssimo apenas para dizer algumas palavras bonitas. Entretanto, as musas existem, você colocou essa descrença minha em musas em cheque e agora estou aqui, quero simplesmente te sequestrar, mas não tenho força nem atributos, sou só eu – quem sabe um bode, quem sabe um mentiroso, sou apenas alguém querendo se entregar.

Fragmento nº 5

Cada minuscula célula do nosso corpo também sonha. Ou sozinhas , ou coletivamente.

Principalmente se você for mulher.

 

Era uma visão de se encher os olhos até mesmo dos mais adeptos de vergalhões, cimento e vidraças. Um lago caudaloso e calmo , abastecido pelas inúmeras cachoeiras ao seu redor. Delicadas como fios de prata, mas suficientes para sua função. No centro uma ilha de rochas e pedras e muito musgo, trepadeiras e pequenas árvores.

Havia um único caminho para a ilha, já que ela não possuia margens amigáveis. Uma ponte construída de maneira peculiar , dentro da água. Além da passarela propriamente dita, a ponte contava com laterais também de madeira, bem firmes e calafetadas.
Talvez tivesse sido construída assim para que quem a visse de longe, imaginasse que a ilhota estivesse totalmente isolada.

Em uma das pontas dessa ponte, Edgar  estava se preparando para sua tarefa diária. Montava um cavalo branco, e ia calmamente em direção ao imenso Buda que ficava na outra margem, já dentro da Ilha.
Ao alcança-la libertou sua montaria , e ela seguiu instintivamente para cima de uma rocha lisa que servia de caminho para uma das cachoeiras menores, onde todos os dias aproveitava da grama que ali sempre estava fresca.
Seguiu o exemplo da égua, e sumiu no meio das plantas mas em lado oposto. Após 15 minutos alternados entre escaladas e caminhadas, avistou o objetivo de sua missão.
Debaixo da queda d’agua de uma cachoeira um pouco maior, uma espécie de altar de mármore com três peças que pareciam ser feitas de ouro. Cada uma repousada em  sua própria coluna Tinham um  brilho pŕoprio como o da lava derretida, eram ricamente adornadas, e pulsavam aos olhos: um esqueleto de um tipo de andor, um aparador de livros e um cálice.
Observando  que estava tudo em ordem, Edgar deu mais uma olhada em volta e seguiu de volta seu caminho, pensando e agradecendo aos deuses pela calmaria. Já que a pouco tempo atrás, seria impossível deixar aqueles objetos assim sendo apenas guardado pelas águas.

Amores de verão

E de repente tudo parou a nossa volta, toquei levemente sua orelha enquanto descia sua mão por sua pele suave, toquei as maças de seu rosto com as pontas dos dedos e desci para sua nuca, aproximei sua boca da minha e quando vi de repente, não a beijei, deixei que se afastasse enquanto eu caia num longo abismo de e se, e se eu tivesse sido mais corajoso, e se eu tivesse avançado mais uns centímetros, e se eu tivesse entrado em frenesi e tomado aquela boca para mim, eu teria a deixado sem pensar duas vezes, eu teria dito a ela que a amava, ou eu simplesmente teria ido embora como sempre fiz?

Nem mesmo num sonho eu poderia ter a coragem dos grandes galãs de novela ou de filmes que tanto admirava no sonho ela estava ali, e eu também, parada prestes a se entregar ao meu amor, na realidade, ela nem sabia que este amor existia, chorava pelos cantos por vagabundos e eu numa imensa ilusão esperava que ela simplesmente percebesse que eu a amava, tímida, triste, feia, gorda, puta, qualquer dos adjetivos negativos ligados a ela, que ela ou as pessoas ao redor dela cunhavam para ela, eu amava cada um deles, afinal não é amor este sentimento de sem se importar com o que a pessoa é ou a pessoa vive, defeitos ou qualidades, quer se o bem da pessoa ao seu redor quer que ela esteja perto em sorrisos?

Foi um ocaso, mas um acaso tão grande que nos encontrássemos naquele por do sol, minha família viajava onze horas até chegar à praia, saiamos bem cedo, e era uma grande decepção para mim e meus familiares quando não víamos o som se esconder dentro do mar em nosso primeiro dia das férias de verão, nós não éramos muito ricos, mas fazíamos mundos e fundo para alugar uma “kitnet” na rua de traz da praia, nosso luxo de verão. Mas o por do sol foi ficando no esquecimento, meus avôs me abandonaram por conta que ele lembrava demais minha mãe, minha irmã me abandonou porque casou e teve seus filhos, no fim fiquei sozinho na praia observando o sol fugir de mim e abandonar o primeiro dia das minhas tão queridas férias, até aquele dia.

Pude ver ao longe ela chegar, sorriso meigo, baixa estatura, eu estava na praia e diferente de mim correu direto do mar se entregou as águas, sem roupa de banho nem nada, parecia alguém que acabava de conhecer o mar, fiquei olhando de longe ela pular as ondas, o negror da note chegava e ela ainda continuava ali, pude vê-la sentir frio finalmente e sair da água do mar, se afastar e sentar do lado oposto na praia, a noite estava negra, mas mais tarde eu descobriria que seu sorriso era branquinho seu rosto era fino com um nariz um tanto que aquilino e seus olhos eram negros com uma estranha e bonita olheira, seus pés vistos de perto traziam uma renda com algumas flores, a mesmas estampas em suas mãos, porém com uma renda um pouco mais detalhada como se fosse uma rede de pesca, era moleca e a primeira vista pareceu ter quatorze anos, uma leveza e suavidade que mais tarde eu saberia eram preenchidas por uma personalidade leonina de dezesseis anos, e descobriria que de nada valeria meus um e setenta e sete, que aquela pequena garota de um metro e cinquenta iriam me pegar de jeito e fazer de gato e sapato se quisesse, mas ela não quis.

Era óbvio depois da surpresa em meu momento mágico que eu iria buscar vê-la na praia no outro dia, mas não a encontrei, e acredite, ela era realmente vazia, voltei para ver o por do sol, e enquanto enxergava bem de longe os barcos de pesca voltando, alguém tocou no meu ombro enquanto se apoiava em mim para sentar do meu lado, com uma voz suave e doce ela me perguntou:

– Então é assim você vem todo dia olhar o por do sol?

– Sim, e minha irmã sai com a filha dela e o marido pegar conchinhas, cada um de nós mantém a tradição que mais relembra a nossa mãe.

Ela parou um pouco, como que para respirar ou admirar o por do sol:

– E para que relembrar? Se você nem entra no mar?

Parecia que ela estava me vigiando o dia todo, ou como ela saberia que eu não havia entrado no mar o dia inteiro, não tinha nada contra mergulhos, até me dava muito bem no mar meio que minha segunda casa, pegar jacarezinhos, pular as ondas, me jogar nelas como que para quebrá-las era tudo tão divertido, mas isso foi antes, antes das férias, antes de tudo, mesmo assim ela me levou para o mar, e não consegui deixar de escapar um sorriso ou dois, até que perguntei:

– Qual seu nome?

– Eduarda… e o seu?

– O meu é Marcelo.

Foi assim que a gente se encontrou, os dias passaram nos aproximamos e o ultimo dia se aproximava também, não queria em pensar em deixar a praia ou deixar, ela a primeira semana tinha se passado e foi no primeiro dia dessa semana que eu sonhei com isto, eu acordei suado no quarto, eu não tinha medo de relacionamentos, mas também não queria um relacionamento de verão, não agora, eu já havia partido a um ano e deixado para trás boa parte da minha vida para tentar a sorte em São Paulo, perdera minha namorada pela minha falta de fé na distância. Então um amor de verão literalmente não subiria a serra, mesmo assim eu gostava dela, das coisas que ela me falava e fazia, e ainda tinha outra coisa eu era muito mais velho que ela, para algum seis anos não significaria nada, mas para mim era tudo.

Peguei meu violão e fui para a praia, fazia alguns dias que eu tinha tocado a primeira vez para ela, ela me levou numa pedra onde a água do mar batia e fazia barulho, mas tão baixo que não atrapalharia o som do violão, a pedra não era muito alta, e eu teria sombra e tranqüilidade para poder tocar para ela, toquei uma música, uns versos simples de uma banda de rock fajuta da minha época, “E acaba sempre tudo igual, a gente esquece no final e os dias viram só recordação, você no seu mundinho e eu rindo do que aconteceu, foi só mais uma história de verão”. Não era uma boa musica nem uma obra prima parecia meu subconsciente tentando mandar um recado para ela me fazendo tocar aquela musica.

Foi nesse exato momento que ela me beijou, meu rosto mesmo eu sendo bem mais velho coraram como os dela, ela meio que num sorriso justificando seu beijo, a minha falta de atitude fez ela tomar a dela, e eu a peguei novamente e a beijei enquanto agora acariciava seu rosto de uma forma real, não importava mais se esse amor de praia não subisse a serra eu queria vivê-lo ali a beira a mar mesmo, a partir daquele momento eu deixei rolar, deixei os entraves que tinham me tomado rolar. Foi quando eu percebi que o verão é feito para viver histórias inesquecíveis e não histórias eternas, coisas para servir como aprendizado e esquentar seu coração quando tiver triste no inverno. E que por incrível que pareça amores de verão nunca morrem, são os que mais marcam.

 

 

 

OBS: Musica citada no texto

 

Arda

Pode passar todo o tempo do mundo e você ainda vai continuar procurando a pessoa certa se não parar e olhar em volta. Porque simplesmente não buscar um novo amor? Ou simplesmente esperar sozinho, revendo seus sonhos e objetivos e os alimentando com a lenha da paciência? Eu esperei, e aprendi que ficar sozinho era bom, enxerguei os ventos do verão vindo ao longe, pude sentar e esperar pelo calor do sol a queimar minhas costas, e simplesmente pude desistir do passado e tocar para frente confiando sempre na bondade dos novos tempos que viriam.

Eu esperei, e esperei, acho que foi quando eu comecei a trabalhar numa gráfica que eu a conheci, ela era afilhada do meu patrão, e eu era um dedicado e entediado funcionário de gráfica, sempre que ela estava por ali eu conversava com ela, ela era sorridente e tinha um jeito simples de ser, mas meu chefe sempre repetia “essa daí não é para o seu bico”, e não era mesmo, ela era linda, sorridente e tímida, ria das minhas piadas sem graças o que era importante, tinha um metro e cinquenta e três, um cabelo castanho que ia para baixo da linha dos seus ombros e olhos negro, profundos como poucos que eu conheci.

A gente ficou, foi algo rápido, numa festa quando eu estava indo embora, eu estava bêbado, ela também, a gente falou besteiras, e prometemos nos ver. Eu fui embora, fui fazer faculdade, e não sei por que me afastei dela, vinha nas férias, não conversamos, não nos víamos, parece que tudo tinha terminado ali, mais uma história de amor terminada no primeiro ato.

Terminei o curso no interior de São Paulo e fui morar na capital, virei professor, e mais tarde coordenador pedagógico de um colégio que ia desde o Primário até o Ensino Médio, foi quando apareceu um garoto, devia ter o que uns treze anos, seu problema era que não conseguia conviver com os colegas, e tinha várias tendências agressivas, peguei o telefone e liguei para o telefone em sua ficha, dentro de quinze ou vinte minutos uma mulher bonita estava diante de mim, conversei com ela sem me tocar, quando íamos se dependido pude ouvir com certo susto:

– Você mudou Ronaldo.

Minha cara de espanto não podia ser maior, surgiu em minha mente uma biblioteca gigante de nome de pessoas de quem deveria me lembrar, mas não me veio, tentei adivinhar mas por fim desisti, e perguntei:

– A gente se conhece?

Ela sorriu, e quando vi o seu sorriso eu tive certa duvida se eu realmente não sabia, ela estava linda, o mesmo sorriso, o mesmo cabelo castanho agora menos tímida,  mas com um triste olhar, seus olhos antes cheios de vida estavam cheios de olheiras, e estavam um pouco mais magra, permanecia linda, mas em si trazia uma certa melancolia, que eu não entendia.

– Sou eu, a Mariana eu era afilhada do Dono da Gráfica onde você trabalhou.

Fiquei com cara de besta pensando, em como a gente tinha se despedido, ela agora tinha um filho, devia ser casada, olhei o numero na lista, e liguei novamente, a convidei para sair ela aceitou, usei seu filho como proposta, mas quando cheguei lá estraguei tudo, acho que ainda posso lembrar em seus olhos a tristeza de ver minhas intenções, eu queria saber sobre ela, daquela conversa lembro poucas palavras talvez só a parte final de uma frase, mas que me marcou.

– Eu sou casada Ronaldo, tenho um filho, me esqueça.

Mesmo assim eu a beijei, e seguimos até o final, e nos amamos, e vivemos apenas sentindo o que deveríamos ter sentido antes, fizemos tudo que não devíamos e magoamos outro coração, mas a vontade era tanta, por um único momento eu a tive totalmente. Conversamos tudo que nunca tínhamos conversados, falamos sobre os problemas delas, como ela tinha vindo parar ali, como destino era estranho, até que em algum momento ela notou que ela tinha um filho, era casada, e eu lembrei que eu deveria esquecê-la.

Era anunciado o fim, nos despedimos com um ultimo beijo, e eu e ela em pecado marchamos cada qual para seu carro, cada qual para seu lado, o jantar tinha ficado no nosso passado, e eu mais tarde encontrei a minha garota, se hoje me perguntassem, se eu queria a ter tirado e roubado para mim, eu responderia não, mas não me arrependo, eu precisava concluir o que havia começado, e precisávamos matar essa chama em nós, um amor não pode ser interrompido pela metade, ele precisava arder até se queimar.

Verdes marcas

Ultimo cigarro do maço, e eu mais uma vez tentando descobrir os mistérios de uma pessoa que eu nem conheço direito, como assim você deve pensar? Mas é um velho defeito meu, um traço da minha personalidade carente que eu talvez nunca consegui remediar. Pois bem eu olhava aques olhos verde cor de casca de goiaba e tentava dar conselhos apenas com gestos, eu a queria bem, afinal ela estava do meu lado sempre sorrindo.

Um sorriso não precisa ser perfeito, sabe? Sorrisos tem que ser sorrisos podem ter os dentes tortos ou um jeito  timido, mas eles sempre iram te ajudar quando as coisas não forem como o planejado, assim eu estava lá, sem resolver os problemas, mas estava lá, também sorrindo, sorrisos de monstro eu diria, mas de um monstro bem intecionado.

Estavamos em um lugar cheio de gente, cheia de sonhos, e cheia também de decepções e pouco a pouco eu percebia saber menos das pessoas, puxamos um papo sobre o que gostavamos afinal era isso que unia nosso grupo, aquilo que gostavamos, e isso nos fazia diferente. Não tentavamos apelar para o lado fisico ou roubar dos outros os sonhos que eles tinham, nem ao menos existia uma competição em um se elencar sobre o outro, onde um apresentasse dificuldades o outro procuraria a solução era simples.

Mas tudo muda um dia, e um dia tudo mudou, pouco a pouco percebemos que um excelente ano chegaria ao fim, mas eu ainda reparava que faltava falar algumas coisas, por isso estava ali diante de olhos verdes, que sempre mereciam uma palavra a mais, de conforto, carinho ou atenção.

Afinal o que é a amizade se não um amontoado de experiências trocadas, ou um monte de informação circulando de maneira muito rápida para se processar, pessoas se magoando a galope, não no sentido ruim da palavra, mas uns marcando os outros de maneira plena e duradoura, deixando em si uma espécie de tatuagem não escolhida. As vezes um corte mais fundo jorrava sangue e ardia, os animos se esquentavam , afinal, quem gosta de ver a si mesmo ser flagelado? As vezes as coisas fluiam, um pedido de desculpa rolava, para logo depois mais uma vez idealismos baratos, e verdades não ditas se cruzarem em uma guerra de espada e escudo sem fim, divertida e respeitosa.

Temo que tudo tenha chegado ao fim sem que eu tenha dito uma palavra do meu verdadeiro eu, daquele que admira a todos e lá no fundo sempre encontra algo para falar, por isso eu decidi nesta noite diante dessa lua tão trapaceira, dizer a ela aquilo que eu esperava concretizar, tentei, a voz meio embargada foi saindo, e enquanto uma mão jogava a bituca de cigarro longe, a outra já se avançava para um abraço, enquanto os lábios idiotas que tantas vezes tinham ditos besteiras inimagináveis diziam:

– Obrigado, por em momentos em que nem mesmo eu percebia, ter me dado toda a ajuda que podia.

Uma Carta

Caro Amor,

Meu velho amigo. Mal te vi partindo já lhe sinto a falta. Parecem semanas sem falha sem te ver, e não faz nem uma. Há algo de inseguro em mim com tua partida, mas é daquelas coisas que o tempo nos compensa. Não sejamos imaturos: Nós dois sabemos que não foi uma ida definitiva. Logo serás aquele velho conhecido marcado na agenda, a quem se tem preguiça de ligar. E um dia, baterás a porta, e entrarás de volta, como se o tempo distante nunca tivesse sido.

Sinto que lhe entendo melhor agora. Não há porque lhe idolatrar. Bate a pena daqueles que lhe consideram algo divino, puro, que cai do céu com a chuva. És mais, é melhor que puro. És como o aço, temperado, que resistiu em seu calor ao frio da água. És moldado, construído, com esforço e parcimônia. Tudo para que fique limpo, perfeito, resistente.

Talvez por isso tua despedida me doa tanto. Como lhe lapidei na forma de amigo, vê-lo sair pela porta é o desmoronar de um castelo. Mas não tenha pena de mim, que sou só humano, e por isso não desejo o eterno, pois eterno não sou. Espero que volte, não me falhe nisso, mas não tenha pressa. Teus caprichos são teu charme.

Sinto as pontadas do desespero, mas não cairei nele. Tuas palavras: “Não fique assim, que o que é dos bons tarda, mas vêm.” E eu tenho sido bom, o melhor que posso ser. Tão bom quanto a natureza permite aos homens alcançar.

Logo será verão, e eu vou sentir mais tua falta,  esse mais que vêm do menos. Mas é nesse espaço vazio que deixaste comigo que vou construir a fundação para o teu futuro retorno. E então haverá um castelo novo, talvez mais belo, com certeza mais forte. E saberei, ao notar teu sorriso, que compensou o esforço e a labuta.

Me tomo por crente ao ver que aceito tais coisas sem questionamentos. Mas é a fé no que é bom que nos impede de nos tornarmos o mal, deixando de te merecer. E todos merecemos, em todas as tuas formas. Seja na ternura do suspiro dos amantes, seja no calor do abraço dos que chegam, seja na carta escrita para os que foram. Estás lá. Talvez sejas superestimado. Talvez sejas vilipendiado. Mas uma coisa é certa: Não és ilusão.

E aí daqueles que te negam. Nunca alcançam a cumplicidade com a vida, e ficam largados no vazio que cresce neles. Não tenhamos dó, pois todos possuem jeito. Só é preciso o aceitar, velho amigo, por mais dogmático que pareças. Não há necessidade de se ter preguiça ou medo. Preguiça, em si, é medo. Temor do que virá com a mudança.

Então não tenha vergonha de chegar mudado, com outro rosto, com outra voz, com outros trejeitos. Estou preparado para isso, embora talvez eu demore a te reconhecer. Façamos disso um jogo! Se esconda onde bem lhe entender, e eu me esforço daqui para lhe ver. Será divertido como as tardes de verão. E quando menos notar, estarei de frente com você.

Prometa-me apenas voltar. Vou lembrar de ti eternamente, nos escritos de Vinícius e nas músicas de Chico. Esses me ensinaram que você cumpre suas promessas. Que é infinito em sua chama. Que a vida roda, viva, e lhe traz dos infinitos. Espero um dia que você conte, a outros amigos, sobre como eu também falei tão bem de você, se eu merecer.

Enquanto isso, vamos tomar um bom vinho, eu daqui e você daí, ouvindo uma boa música. Vamos nos manter sãos, para que nenhum de nós se vá em definitivo antes do reencontro. E vamos lembrar saudosos um do outro.

Enquanto puder, seu

Poeta.

Olhar

Uma beleza, que mais do que de alma, de sorriso, extravasa em todos os sentidos, se fossem apenas os corpóreos, talvez ainda teriamos alguma chance de fugir do seu julgo, mas suas armadilhas são tantas que mesmo um profundo conhecedor das artimanhas femininas ficaria perdido, por isso por onde você passa chama a atenção e quem diz que não sente nenhum um pingo de vontade de se jogar diretamente a você, é porque tem medo, medo de tudo isso que você tem, se é verdade a máxima aprendida com um certo professor: se os homens se tornam cada vez mais inseguros, a beleza da mulher continua eterna.

Começa pela boca, nela existem palavras doces, um mel de abelha, prestes a atrair ao mesmo tempo grandes feras e belissimos animais, monstros que adorariam te destruir e sugar totalmente sua vida, seu amor próprio, trasvestidos de homens feios e bonitos, (mesmo sendo um feio assumido sou contra a máxima criada pelos feios de que só estes prestam), continua em um olhar, niponico, trazendo neste todos os mistérios do oriente, dragões, samurais, espadas e artes capazes de matar um homem com um único golpe, e assim é teu olhar um lance certo pode matar um homem, um lance errado pode causar sua própria morte, mas é um olhar teu, você tem sobre ele dominio, sabe disso, e assim o usa, e a cor deles duas amendoas, e mesmo eu gostando mais das uvas, verde e de tons azulados, me chamam a atenção.

O seu corpo um violão, digno dos poemas dos grandes poetas Vinicius, como dizia o mundo inteiro se enche de graça, não em desejo fútil ou em simples palavras vãs para aqui serem escritas e por aqui ficarem, não, o mundo para em admiração ao teu corpo ao seu jeito, pois por mais que ainda esteja incompleto, sua mente, seus desejos, por mais que qualquer um ainda possa intereferir em seu futuro, você é completa, digna da plenitude e não da falta.

E é neste mundo que ainda tendo tamanha beleza não sabe apreciá-la que ao elogiá-la em outras rodas longe de ti, prefere usar palavras de falsa admiração, de inveja ou ainda de pura luxúria e promiscuidade, é neste mundo onde o homem não consegue entender na beleza do corpo, rosto e boca de uma mulher um lindo poema, é neste mundo que existe a violência, a morte, o desespero, o falso amor e as desilusões amorosas, a falta de sorte e o azar puro e pleno, e por mais exagerado que possa parecer, é exatamente neste plano que existem os falsos admiradores da sua beleza, os homens boto, que existem na lenda dos Manauaras e Amazonenses, mas que para mim também existem na alma de cada homem que se deixa levar mais pelo animal em si do que pela razão.

Termino porém, com os seguinte dizeres, é no mundo onde um homem te toca o queixo, sente em seu sorriso a sua beleza, prefere passar o tempo sentindo teu cheiro a conversar com o mais digno rei, que prefere se enveredar por sua alma, do que ver de longe com medo o seu corpo, é neste mundo que você dve caminhar, pois já trascendeu o espaço das mulheres, agora é ninfa, e como ninfa não pertence aos homens comuns, apenas aos heróis e aos faunos, ninfa de corpo alma e mente.

Ilhado

Eu a tranquei no quarto, sabia que seria o melhor para ela, por mais que meus sentimentos diziam que eu deveria libertá-la eu simplesmente respirei fundo e pensei mais nela do que em mim. Ela se debatia contra a porta enquanto gritava, enquanto ao mesmo tempo chorava, nervosa, em meio a uma crise, as velhas crises, eu as conhecia tão bem quanto conhecia aquela casa, a porta estava trancada, no quarto já não havia mais nada que a machucasse, mesmo assim percebia suas batidas incessantes na porta, eu tinha medo, um medo estranho, medo dos sentimentos dela e por isso não caia de cabeça, tinha medo de a segurar, dizer tudo que realmente passava por minha cabeça, no fundo eu me dizia sentimental e cheio de coragem, mas tudo que eu conseguia fazer era fechar a porta, era a mesma coisa toda a vez.

Sai na rua acendi um cigarro, ela odiava o cheiro de cigarro, mas ele me ajudava a pensar, eu precisava disso, pensar, viajei fui pro passado, para quando eu a conheci, lembrei dos dias em que jogava minha cabeça em sua perna, nos dias em que simplesmente conversavamos eu olhava para ela e admirava eu a conhecia, muito mais do que a conheço hoje, meu Deus no que me transformei, o cigarro esta na metade mesmo assim eu o apago, volto para dentro bato na porta, ela está chorando, não por mim, mas por ela, eu abro a porta ela esta num canto, ela abraça minhas pernas e de um jeito só dela pergunta:

    • Por quê?

Não sei responder eu sento no chão e choro, eu mudei não sou mais o mesmo, apaguei nela os brilhos de outros tempos, que pai eu sou, um pai que não consegue conhecer a própria filha, cujo a esposa olha e simplesmente duvida que exista um coração, eu não sei o que fazer estou perdido, tento todas as formulas da TV e da Internet, e não encontro nenhuma maneira de realmente acertar.

Faz dois meses que ela começou o tratamento com a Psicologa, só tenho ela, e ela só me tem, mas eu tenho trabalho, contas e outros afazares da casa e da minha vida social para cuidar, não posso ir conversar com a psicologa, me pergunto que pai sou eu, repito exatamente os mesmos erros do meu pai, eu tento achar respostas para as brigas para cada sentimento que não se resolve dentro de casa, e tudo recai sobre mim, o mundo realmente caiu nas minhas costas através da minha filha? Ela não era minha alegria? Me pergunto sinceramente para onde foi meu velho eu, e não encontro resposta, quero de volta aqueles momentos de segurar ela no colo, acariciala sabendo que eu a protegeria e que nada no mundo a faltaria, mas justamente eu, sou o vilão dela.

Queria ter mais respostas mais fórmulas infalivéis, mas eu não sei ler seus olhos, ela levanta, eu sei que ela vai para rua, correr para casa de algum amigo, conversar sobre como sou horrivel, eu nunca bati nela nem nada assim, será que se eu tivesse tido coragem de bater as coisas seriam diferentes? Minha princesinha é forte, mas eu não sei enxergá-la assim ela é meu mundo, mas no meu mundo não sobra tempo para ela, a melhor escola onde ela não quer estudar, eu dei, as melhores roupas que ela não quer usar, eu dei, os melhores cursos que ela odeia fazer, eu a coloquei em tudo que ela merecia ter, mas não consigo a ver valorizando nada disso, eu sou um péssimo pai, ela não tem um namorado, ou se tem eu não sei, sinto que sou um nada na vida dela.

Mas o que devo fazer? Não tive pai, não sei o que é dar carinho e amor, fui aprendendo que os pais tem deveres materiais, e os filhos tem papéis sentimentais, ou seria o contrário, vejo meus amigos contando os feitos de suas filhas, ou os problemas delas, e eu fico quieto, mudo o assunto para Futebol ou ainda para o carro novo que o político X comprou, sou ausente, e admito, e tudo que consigo fazer quando ela diz que não me ama é tranca-la no quarto, ela já tem dezesseis, era para nessa idade ela ser a minha Lorena, o meu anjo e não é exatamente o contrário. Eu desisto de ser pai, vou sair de casa, minha esposa nem me ama, ela me olha sempre com aquele olhar vago de quem falta em casa, mas eu tenho minha vida, eu lutei muito para alcançar minha profissão, minhas horas vagas são para mim, afinal porque eu casei? Sendo bem sincero essa nunca foi minha vocação, eu demorei anos para namorar, fui inventar isso.

Minha esposa me abraça, eu estou mesmo chorando? Será que sou tão fraco a ponto de não aceitar um eu não te amo, tento pensar que é só adolescência, meus pensamentos ruins vão se esvaindo, eu saio do quarto minha filha me espera na sala, ela enxuga as lágrimas e ainda chorando fala:

    • Pai, eu estou perdida.

Se ela está perdida eu estou ilhado, me perdi, e quando me perdi?

Um tempo

O sol toca totalmente as aguas, mais uma história de amor impossível que se concretiza? Ou apenas um olhar romântico para uma coisa tão simples que é a terra se movendo em torno de si mesma, não acreditamos simplesmente que a vida possa ter uma equação, gostariamos muito de ter uma fórmula, simplesmente uma maneira de saber se o que fazemos está certo errado, como diz um poeta, se é que ele é mesmo poeta: “Ainda encontro a fórmula do amor”.

Não estou muito distante, sou um homem atrás da equação da vida, não quero amar, joguei meus amores de lado, define em meu mundo apenas alguns detalhes, esses detalhes são mais do que meras variáveis são pessoas que nutrem em mim sentimentos plenos, enquanto o amor é simplesmente uma coisa idealizada, por estas pessoas tenho admiração, carinho, afetividade, sem que elas simplesmente façam nada, são aqueles amigos, que tantos te questionam por que andam com você, ou aquela pessoa por quem você tem brilho no olhar, mas ninguém ve nela nada além do que você vê.

Mas quando as gerações se passam, sua crença se torna realidade, fazendo com que muitos antes questionadores do seu ponto de vista simplesmente observem o que acontece, foi assim com ela, foi assim com muitas, eu simplesmente as admirava, mas esquecia totalmente, de admirar alguém que existia para mim antes delas, meus pais, meus irmãos, não, acredite, eu esqueci durante todo esse tempo de me olhar no espelho, de ao invés de escrever a um mundo que não quer talvez sequer ler meus textos, escrever antes para mim.

Por isso decidi voltar a falar de amor, mas não da minha musa, gostaria de contar para vocês uma história simples, uma história curta, talvez para concluir esta leve conversa de hoje, que é simples, tal qual haviam me pedido.

Conheci ela, nem sei como, nem sei porque, eu estava perdido ainda, um momento da minha vida onde sonhar era impossível, pois todo meu plano diante de mim era sonho, viajar para Maringá, foi gostoso divertido, fui como todos os outros nos divertimos muito, talvez, para muitos assim como eu, aquela semana foi a semana em que eu mais me diverti.

Na realidade eu já a conhecia os seus rostos suas feições sua forma e seu jeito doce de ser, mas por trás de toda essa casca existia um alguém lírico, um ente que além de expressar os trejeitos de sua personalidade também a conduziam para a clareza, ela era sem duvida nenhuma, uma exceção daquelas que a gente raramente vê na vida, duas ou três, eu tive a sorte, vi todas elas, parece estranho pensar dessa forma, ver todas excessões do mundo, desse pequeno mundo que eu conheci, mas aprendi a enxerga-las e talvez esta de quem eu falo é a exceção que fez comigo exatamente isto, por isso tão importante.

Ela era antes de mais nada simples, não podia ser dito dela, arrogante, ou extrovertida em excesso, tinha um sorriso que se bem observado refletia a bondade de suas ações, era capaz de se entregar, mas não entendia exatamente o que suas ações significavam, ao mesmo tempo que se aproximava de mim se afastava de mim, e vi que ela já conhecia a exceção dentro de mim antes mesmo deu imaginar que ela existia em outras pessoas, ela brilhava, de forma opaca, é dificil explicar, via nela um brilho digno das grandes pedras preciosas, mas ela diferente das outras não era lapidada, foi uma semana especial, mas nada aconteceu, não troquei palavras de amor ou tentei algo com ela, erámos amigo, não nos pertenciamos, e nem pensavamos nisso, eramos simplesmente um cuidando ao outro.

Mas o tempo passou, e comecei a ver menos esse meu diamante, e imaginem qual tamanha a minha tristeza ao velo cada dia mais bruto, mais rústico, ao invés de enxergar seu brilho eu a vi se fechando em uma casca cada dia mais dificil de se ver, mas uma casca não mais escura, mas agora formada por um cristal de sal, falso diamante, que engana e até tem brilho em primeiro momento, mas que depois visto de perto é jogado fora, não, não é assim, no fundo dessa pedra eu acredito ainda há diamante, o negro que escureceu seu coração ainda pode ser aberto e lápidado, porém, temo já ser muito tarde para ser o ourives, ou não ter habilidade para retomar este projeto de onde ele foi parado.

Um texto pra você

Eu juro que eu não sei usar a virgula, mas tentarei explicar da melhor maneira possível o que sinto por você, outro detalhe eu tambem não sei as novas regras da gramática, mas eu aprenderei até o fim do ano e quem sabe edite este texto com o fim de mostra-lo a você a primazia dessa língua que é tão complexa e linda.

Bem começando pelo assunto desde texto, ele não é uma carta se não eu teria que endereça-la a você, dizer quem você é, mas se eu e você sabemos bem que eu falo só de você quando eu escrevo, a ultima coisa que eu quero é dividir seu nome e meus afetos com o mundo, se alguém mas se identificar, quem sabe eu não acho o amor da minha vida fazendo um texto pra você, que é só minha musa. Engraçado não é, dizer que você é só minha musa, você é mais que isso, penso em você como a melhor coisa que aconteceu em minha vida, mas isso é assustador pra você, você se tivesse como me responder provavelmente diria: Sua vida é tão triste assim? Não, não é você que é especial mesmo.

Porque eu não tento algo mais? Eu sempre me pergunto isso, não tenho medo de estragar o que a gente tem, não tenho mesmo, mas eu tenho uma crença grande de que você é melhor, você chegou longe, e onde até agora eu errei você tem acertado, seguido seu caminho mesmo com a imensa vontade de voltar atrás, você é linda, tem as definições certas e um padrão de beleza só seu, um sorriso só seu, e um olhar, lembra até fiz uma musica sobre ele, tenho medo de tentar, sim eu que não me arrependo de nada, tenho medo de me arrepender, e não te ter mais, se eu tentasse como ia ser? Ou não ia ser? Não dá para saber, falar de mim é chato eu quero dividir com as outras pessoas o que você é, e não o que eu sou, por aqui as pessoas já me conhecem de mais, conseguem me conhecer até melhor que eu.

É o mundo, eu giro sempre nesse circulo, estava tentando escrever um texto antes deste, mas ai eu lembrei, não falei com você, não é vicio não, é simplesmente que quando converso com você eu solto este excessos, que por exemplo você vê nesse texto, então decidi simplesmente escrever, espancar o teclado e colocar em linhas o que eu queria falar. Não tem lógica o texto, e você inteligente que é, deve já ter se cansado de ler nesta linha, que é a ultima eu prometo, mas como todas as outras é necessária, eu te amo, é estranho pensar que se ama alguém de verdade, e ainda admitir que não se idealiza, nós já brigamos, pela minha falta de atenção, ou pela minha falta de fé, mas nesses dois lados já brigamos, e não tenho medo de quem você é, meu maior medo mesmo é saber como eu sou, e você sabe? Acho que sim, por isso me admira que você ainda ache em minha palavras algum sentido, mas bem este foi exatamente o seu texto, pra você, um dia eu escrevo um melhor eu prometo, você odeia promessas e por isso decidi fazer três nesse parágrafo mais longo, mas ainda assim o ultimo, eu queria voltar para aquele dia de chuva, eu estava mais feliz naqueles momentos, me pergunto se seria todo dia assim, provavelmente não, mas ainda assim se um em cada 365, 730 dias fosse como aquele, ainda assim valeria apena viver não junto, mas perto de você, porque eu não te quero minha, eu te quero perto, quero todo dia escutar tua voz, e todo tempo sentir seu olhar. E ai como eu faço? Ou não faço?